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PF aponta R$ 645 mil de deputado em produtora de filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal cumpriu 49 mandados em três estados e no Distrito Federal, e descreve um circuito de R$ 19 milhões entre o deputado Mario Frias, duas entidades e a produtora de "Dark Horse".

atualizado em 11/09, 14:19 3 min de leitura
Imagem ilustrativa: Câmera de cinema profissional em estúdio enfumaçado, com equipamentos de filmagem
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Ritam Das / Pexels

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão contra 29 pessoas ligadas a "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As diligências ocorreram em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal, autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

A investigação quer saber se dinheiro de emendas parlamentares pagou o filme. O deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor das emendas e produtor-executivo e roteirista do longa, ficou proibido de deixar o país.

No centro do caso está Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment. Ela preside duas entidades que receberam verba pública indicada por Frias: o Instituto Conhecer Brasil, para onde foram R$ 2 milhões em emendas em 2024, e a Academia Nacional de Cultura.

Conforme o HojePR, os investigadores examinaram os contratos assinados por essas entidades e encontraram empresas ligadas a doadores de campanha do deputado, a ex-assessores dele e ao seu advogado. A suspeita é de que parte desses contratos tenha sido simulada. A apuração também aponta contratos, orçamentos e notas fiscais elaborados depois do fato e com data retroagida, para que as operações parecessem regulares aos olhos da Controladoria-Geral da União.

O desenho que a PF descreve é circular: o dinheiro sairia do parlamentar, passaria pelas entidades e pelas empresas contratadas e chegaria à produtora. Só entre novembro e dezembro de 2025, esse circuito movimentou R$ 19 milhões. Entre os alvos estão ex-assessores de Frias, como Raphael Augusto Azevedo, que chefiou seu gabinete.

Segundo o documento da PF divulgado pelo Bem Paraná, o Instituto Conhecer Brasil repassou R$ 700 mil a duas empresas em fevereiro e março de 2025. No fim daquele ano, a produtora recebeu outros R$ 750 mil, vindos da NTT Brasil, empresa do mesmo grupo. A própria PF pondera que os elementos reunidos não autorizam afirmar que essa quantia veio diretamente do instituto, e trabalha com a coincidência de valores e datas.

Há ainda uma transferência do próprio parlamentar. Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, ele mandou R$ 645.400 à Go Up. A PF registra que o valor não se sustenta com o rendimento mensal do deputado, de R$ 44.008,52, e questiona de onde veio o dinheiro em menos de 60 dias. O relatório trata Frias como integrante de uma organização criminosa voltada ao desvio de verba pública, e se apoia em informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Outra frente alimentou o caso. Em agosto, Dino liberou para a PF o material que a Polícia Civil de São Paulo apreendeu na Operação Wi-Fi, que investiga contratos e aditivos entre a Prefeitura de São Paulo e o instituto e teve Karina entre os alvos.

Na busca desta quinta foram apreendidas sete armas registradas em nome de Frias. Como estavam em endereço diferente do declarado, a posse será investigada à parte.

O deputado não respondeu à Folha de S.Paulo. Em vídeo nas redes sociais, classificou a ação como "cortina de fumaça" e negou irregularidades. À coluna Mônica Bergamo, Karina Gama afirmou que os recursos foram aplicados corretamente e disse não ter nada a delatar. A representação que levou o caso ao STF partiu da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

O senador Flávio Bolsonaro, que sempre negou o uso de verba pública no filme, não é alvo deste inquérito. Ele é investigado em outra apuração sobre "Dark Horse", relatada pelo ministro André Mendonça.

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