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MP que proíbe apostas online põe em risco patrocínios do futebol

Lula confirmou em comício que pretende vetar cassinos virtuais e apostas de quota fixa, e as casas já notificaram Corinthians, Flamengo, Fluminense, Santos e São Paulo sobre romper contratos.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Cadeiras vazias de estádio com vista para um campo de futebol durante o dia.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Budget Bizar via Pexels

A medida provisória que o governo federal preparou contra as casas de aposta não separa cassino virtual de palpite em jogo de futebol: os dois entram na proibição. Segundo o O Sul, auxiliares do presidente relataram que a discussão inicial no Planalto girava em torno de barrar apenas os cassinos on-line — o gênero do chamado jogo do tigrinho —, mas a escolha final foi vetar também as apostas de quota fixa, feitas sobre eventos reais, e com isso todo o setor de apostas pela internet.

Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção em comício em Maceió, na noite de quinta-feira (24): "Eu vou acabar com as bets antes de elas acabarem com o Brasil e levar as pessoas à doença", disse. O Planalto marcou para a sexta-feira (25), em São Paulo, um evento batizado de "novas medidas de proteção às famílias e à economia popular", que reuniria a MP e um programa de recompra de dívidas antigas de consumidores, antecipado dias antes pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Clubes já foram notificados

Antes mesmo de conhecer o texto, as casas que estampam camisas das Séries A e B avisaram os times que podem encerrar os contratos de imediato. A leitura das empresas é que um veto integral torna a ruptura inevitável; e mesmo uma versão mais branda, restrita aos jogos de cassino, obrigaria a renegociar valores, porque essa fatia responde por até 80% do faturamento delas, conforme estimativas de pessoas ligadas à operação do setor.

Quatro já se mexeram. A Novibet, do Santos, e a Betano, patrocinadora do Flamengo, estão entre elas, assim como a Esportes da Sorte, do Corinthians, e a Superbet, que assina as camisas de Fluminense e São Paulo. Emissoras com contratos publicitários — Globo, Band e RedeTV — receberam avisos semelhantes. O Flamengo, que tem o maior acordo do tipo no país, R$ 268,5 milhões por ano num contrato de três anos e quatro meses, foi um dos primeiros a sondar substitutos.

O peso real do dinheiro das apostas

Os aportes das bets nos clubes da elite saltaram de R$ 618 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, alta de aproximadamente 66%, segundo levantamento da consultoria Convocados. É muito dinheiro e, ao mesmo tempo, uma parcela modesta: representou 7,2% dos R$ 14,3 bilhões que os times da Série A arrecadaram no ano passado. Em manifesto conjunto divulgado em 17 de setembro, quando a MP começou a ser especulada, os clubes escreveram que, se o mercado regulamentado acabar, "o futebol acaba", e defenderam combater a ilegalidade em vez de encerrar o setor. O governo estuda compensações — crédito facilitado e alívio de dívidas —, provavelmente anunciadas depois das eleições.

Sete anos entre a liberação e o aperto

As apostas foram autorizadas em 2018, no governo Michel Temer, e funcionaram sem regulação alguma até a lei de 2023. O mercado regulado só passou a valer em 2025, depois da regulamentação do governo, da análise da Fazenda sobre cada empresa e do pagamento de uma outorga de R$ 30 milhões. Desde então, o setor vem levando apertos sucessivos, acompanhando as evidências de aumento do endividamento entre apostadores.

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