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Mensagens ligam Alexandre de Moraes ao dono do Banco Master

Fachin marcou sessão extraordinária para terça-feira, suspendeu todas as apurações sobre ministros do Supremo e levou esses casos para a presidência do tribunal.

atualizado em 11/09, 14:23 3 min de leitura
Imagem ilustrativa: Colunas do prédio do Supremo Tribunal Federal iluminadas à noite, em Brasília
Foto: Nicholas Bittencourt from Niteroi, Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Supremo Tribunal Federal se reúne em sessão extraordinária na terça-feira (15) para tratar da crise que tomou a corte. O presidente do tribunal, Edson Fachin, convocou o plenário para decidir sobre o pedido de André Mendonça de abrir investigação contra Alexandre de Moraes e sobre o parecer da Procuradoria-Geral da República que pede a anulação do procedimento.

Na mesma decisão, Fachin tomou uma providência de alcance maior: suspendeu toda e qualquer investigação sobre ministro do Supremo e transferiu esses casos para a presidência da corte. Também travou o procedimento de controle externo aberto pela PGR, que apura se Mendonça interferiu no relatório da Polícia Federal, até que o plenário se pronuncie.

O presidente descreveu o que quer conter. Segundo o HojePR, ele escreveu na decisão que há hoje no tribunal um quadro de conflitos e sobreposições de processos que causa grave lesão à ordem pública e à integridade da casa, com decisões individuais sucessivas de ministros em incidentes diferentes, mas amarrados aos mesmos fatos e às mesmas autoridades. E afirmou que a presidência tem o dever de zelar por essa integridade.

A origem de tudo está num relatório da PF. O Estadão revelou o conteúdo do documento, que descreve mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e alguém identificado como sendo Moraes. Em seguida, Mendonça, relator da investigação sobre o banco, retirou o sigilo do material.

Três pontos desses diálogos pesam. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou ao interlocutor se convinha sair do Brasil. O relatório indica que o ministro alterou trechos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. E aponta pelo menos seis encontros entre os dois desde 2024.

A reação veio no mesmo dia. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do documento, sob o argumento de que a apuração correu de forma irregular: Mendonça teria se apoiado na polícia para impor uma investigação sobre Moraes, atuando fora das atribuições que lhe cabem. Gonet também aparece citado nas mensagens do empresário e não se manifestou sobre isso.

No dia seguinte, o site ICL Notícias publicou que o próprio Mendonça havia recebido Vorcaro em seu gabinete, em março de 2025. Pelas mensagens extraídas do celular do empresário, quem arranjou a conversa foi o advogado Ciro Rocha Soares, com a participação de um parlamentar: Cezinha de Madureira, deputado federal pelo PL de São Paulo. Num áudio de fevereiro daquele ano, o advogado avisa ao empresário que estava trabalhando por ele e que havia levado "o André" a um alfaiate.

Mendonça confirmou naquele mesmo dia que o dono do Master prestou depoimento recente em seu gabinete, com a presença do Ministério Público e sem a Polícia Federal, sem informar a data. O ministro afirmou que a defesa do ex-banqueiro havia pedido a oitiva com urgência, alegando intimidações.

Foram dez dias de atrito interno, com decisões conflitantes entre ministros, disputa aberta entre integrantes da corte e uma operação policial pelo meio. Segundo o Bem Paraná, foi essa pressão que levou Fachin a pautar o assunto.

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