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Fraude entre Master e BRB chegou a R$ 17 bilhões, conclui a Polícia Federal

Relatório liberado no STF descreve papéis falsos e empresa de fachada na venda de carteiras ao banco do DF; um mês antes de liquidar o Master, o Banco Central já tinha travado compras do BRB.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Vista do edifício do Banco de Brasília sob um céu azul claro, exibindo a arquitetura moderna.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Matheus Natan / Pexels

As transações entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, envolveram cerca de R$ 17 bilhões em operações que existiam apenas no papel ou não tinham lastro real. É a conclusão da Polícia Federal num relatório que veio a público quando André Mendonça, que conduz o processo no Supremo, derrubou o sigilo dos autos, conforme reportagem do Estadão republicada pelo InfoMoney.

Segundo o texto da PF citado pelo jornal, a fraude foi montada com grande volume de documentos falsificados, manipulação de dados internos do BRB e uma empresa de fachada, a Tirreno, com participação consciente da cúpula do banco estatal, em especial do então presidente, Paulo Henrique Costa. Os investigadores falam em corrupção explícita por parte dele e somam R$ 20 bilhões em repasses do BRB para operações incompatíveis com a saúde financeira da instituição.

Como a fraude funcionava

De acordo com a investigação, o Master passou a enfrentar falta de caixa mais séria a partir de 2024 e, para levantar dinheiro rápido, vendeu ao BRB carteiras de crédito que eram fictícias. Em 2025, o banco de Brasília tentou comprar o Master, mas o Banco Central barrou o negócio e depois liquidou a instituição de Vorcaro. O BRB ficou com um rombo bilionário que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

O freio do Banco Central

Um mês antes da liquidação, o BC já tinha imposto ao BRB uma medida prudencial preventiva por causa dessas operações, segundo a CNN Brasil. O banco do DF ficou proibido de adquirir títulos, cotas de fundos, ações, carteiras de crédito e outros ativos que envolvessem pagamento efetivo ou troca com ganho adicional, e teve de adotar limites por contraparte nos depósitos interbancários. Também precisou apresentar em 30 dias um plano para resolver os problemas, a ser concluído em no máximo seis meses, com relatórios a cada dois meses e checagem do valor justo do que havia comprado.

A decisão partiu de alerta do Departamento de Supervisão Bancária, que apontou a escalada dos negócios entre os dois bancos desde o segundo semestre de 2024, sem exame cuidadoso da qualidade dos ativos e com trocas sucessivas desses papéis. Quem assinou a medida foi Belline Santana, então chefe do setor e hoje ex-servidor do BC, investigado pela PF por suspeita de dar consultoria informal a Vorcaro.

Presos

Vorcaro e Costa estão presos. Segundo documentos da PF relatados pelo Estadão, o ex-presidente do BRB foi detido em 16 de abril de 2026 num apartamento de luxo em Brasília, onde os agentes apreenderam 16 pistolas, cinco fuzis, um revólver, duas espingardas e milhares de munições — ele tem registro de caçador, atirador e colecionador e era dono das armas. A investigação o acusa de ter recebido R$ 146 milhões em propina na forma de imóveis.

Procurada pelo Estadão, a defesa de Vorcaro não comentou. O jornal não conseguiu falar com os advogados de Costa até a noite de sábado (12).

O que diz o BRB

Em nota divulgada no sábado, o BRB afirmou ser vítima de atos criminosos e pediu para não ser confundido com os antigos dirigentes. O banco diz ter trocado a diretoria executiva, reforçado controles internos e contratado o escritório Machado Meyer, com apoio técnico da Kroll, para uma auditoria forense independente. Segundo a instituição, os resultados foram entregues à PF, ao Ministério Público Federal, ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários e ao Judiciário, contribuíram para as conclusões da polícia e abriram nova frente de investigação sobre a gestão anterior. O BRB afirma que vem tomando medidas judiciais e extrajudiciais para recuperar prejuízos e responsabilizar os envolvidos.

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