Fim das bets tira R$ 910 milhões por ano dos clubes da Série A
Treze dos 20 times da primeira divisão têm contrato com casas de apostas, e o Ministério da Fazenda afirma que só vai decidir sobre alguma compensação depois de ouvir clubes e confederações.
O fim das casas de apostas no país tem endereço certo no futebol. A partir de 6 de outubro, quando a medida provisória assinada na sexta-feira (25) passa a barrar também a publicidade do setor, deixam de entrar no caixa dos clubes da Série A R$ 910 milhões por ano em patrocínio fixo.
Das vinte equipes da divisão principal, treze mantêm cota máster ou espaço de uniforme com plataformas de aposta, conforme levantamento do ABCD Jornal. Os valores são desiguais: vão de R$ 220 milhões anuais, no topo, a R$ 10 milhões na outra ponta. Esse dinheiro costuma já estar comprometido com folha salarial, categorias de base e futebol feminino. O Campeonato Brasileiro volta no dia 7, 24 horas depois de a proibição entrar em vigor.
Fazenda quer medir antes de agir
Não há promessa de socorro. O ministro Dario Durigan disse que o governo vai convocar clubes e confederações para dimensionar o quanto o esporte depende dessa receita, e que só depois desse diagnóstico decidirá se faz alguma coisa. "Caso seja necessário (...), vamos adotar uma medida na sequência. Mas para hoje, não", afirmou em entrevista coletiva, conforme o Diário do Grande ABC. Na conta do ministro, a fatia das apostas nos orçamentos dos clubes fica, em média, na casa de um dígito.
Enquanto isso, dirigentes de clubes paulistas negociam com o governo federal um plano de contingência com linhas de crédito pelo BNDES para atravessar a perda de patrocínio.
Outorgas não voltam
Do outro lado do balcão, as empresas não recuperam o que pagaram para entrar no mercado. Os R$ 2,55 bilhões que a União arrecadou em outorgas — R$ 30 milhões por casa de apostas — ficam onde estão. Durigan sustentou que a autorização concedida tinha caráter precário e resumiu: "Não haverá devolução das outorgas". São cerca de 180 marcas, distribuídas por 85 empresas, que perdem o direito de operar no país.
Sobre o efeito nas contas públicas, o ministro argumentou que o gasto das famílias com apostas não evapora — migra para outros setores da economia real, amortecendo a perda de arrecadação. Ele acrescentou que a tributação das bets nunca foi montada para fechar o Orçamento e que o governo vai retirar essas receitas de suas projeções. A medida provisória ainda precisa passar pelo Congresso, com votação prevista para novembro, quando deputados e senadores voltam do recesso.
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