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"Faraó dos bitcoins" diz à Justiça que fortuna apreendida quitaria dívidas

Glaidson Acácio dos Santos afirmou em depoimento que as criptomoedas guardadas no dispositivo apreendido pela Polícia Federal bastariam para pagar os mais de 77 mil credores.

2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Close-up de uma moeda de bitcoin sobre superfície escura, com um gráfico de mercado ao fundo.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Jonathan Borba / Pexels

O homem apontado como criador de um dos maiores esquemas de investimento em criptomoedas do país afirmou à Justiça que existe dinheiro suficiente para ressarcir quem perdeu recursos com ele. Glaidson Acácio dos Santos, chamado de faraó dos bitcoins, prestou o depoimento em 2025, quatro anos depois de ser detido.

O registro foi obtido pelo programa Fantástico, da TV Globo, e mostrado ao público no domingo, 6. Nele, Glaidson sustenta que os ativos continuam guardados em uma carteira de criptomoedas que ficou em poder da Polícia Federal. "A senha, agora de cabeça eu não sei. Mas está lá. Está tudo lá", declarou.

Uma carteira desse tipo é um programa, aplicativo ou aparelho físico onde ficam as chaves criptográficas, sem as quais não há como acessar nem movimentar os valores digitais.

A conta a pagar é grande. Os administradores judiciais responsáveis pela massa falida da GAS Consultoria Bitcoin montaram uma relação que ultrapassa 77 mil credores, entre pessoas físicas e empresas, e a dívida se aproxima de R$ 3 bilhões, conforme a reportagem.

A empresa funcionava na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, e foi alvo da operação Kryptos, conduzida pela Polícia Federal em agosto de 2021, quando Glaidson foi preso. Para os investigadores, a estrutura configurava uma pirâmide financeira que, sozinha e em conjunto com outras companhias do setor, movimentou cifras bilionárias.

Ao longo de nove anos, o ex-garçom e ex-pastor da Igreja Universal reuniu, com seus colaboradores, milhares de clientes em 13 estados brasileiros e em outros sete países.

O Ministério Público Federal enxerga ali uma organização criminosa, acusada de manter instituição financeira sem autorização, de gestão fraudulenta e de negociar valores mobiliários de forma irregular. A tese dos procuradores é que os rendimentos obtidos com criptomoedas jamais dariam conta do retorno prometido, e que o esquema só se sustentava com o dinheiro de novos aplicadores para honrar os antigos.

No mesmo depoimento, Glaidson rejeitou as acusações. Disse que elas não correspondem à verdade, que não cometeu crime nenhum e que considerou precipitada a interrupção das atividades da empresa.

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