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Estudo da USP estima que apostas online tiraram até R$ 141 bilhões da economia em 2025

Pesquisa do Made/FEA-USP calcula perda de 0,9% a 1,1% do PIB e saldo fiscal negativo de pelo menos R$ 22 bilhões, mesmo descontados os impostos pagos pelas plataformas de apostas.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Notas de cem reais sobre superfície azul, em primeiro plano
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Daniel Dan via Pexels

O dinheiro que os brasileiros colocaram em casas de apostas online deixou de circular no consumo e retirou entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica do país em 2025. A conta é do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), ligado à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, em estudo divulgado pelo HojePR e pelo Bem Paraná.

O valor corresponde a algo entre 0,9% e 1,1% do Produto Interno Bruto. Os pesquisadores comparam: a perda equivale a 40% a 50% de todo o crescimento da economia brasileira no ano e é cerca de cinco vezes maior do que as estimativas de impacto do tarifaço dos Estados Unidos sobre o PIB. Segundo o estudo, incluir na conta os empregos diretos e indiretos gerados pelo setor praticamente não altera o resultado.

Arrecadação não compensa

Com menos atividade econômica, cai também o que governos recolhem em tributos. O Made estima essa perda entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. As plataformas de apostas pagaram cerca de R$ 9 bilhões diretamente; descontado esse valor, o saldo para as contas públicas continua negativo, de R$ 22 bilhões a R$ 46 bilhões.

Dívidas e concentração de renda

O levantamento também testou o efeito sobre o endividamento, num cenário que os próprios autores tratam como extremo. O crédito para pessoas físicas cresceu perto de R$ 450 bilhões em 2025. Se toda a transferência líquida das famílias para as bets, de R$ 62,5 bilhões, tivesse sido bancada com empréstimos novos, ela explicaria cerca de 14% dessa alta.

Outro efeito apontado é sobre a distribuição de renda. O 1% mais rico da população concentra perto de 24% da renda nacional, e a pesquisa calcula que o fluxo de dinheiro para as casas de apostas ampliou essa fatia em 0,5% a 2,1%, a depender de quem fica com os lucros das empresas.

A conclusão dos pesquisadores é que o problema das apostas vai além das perdas de cada apostador. Ao tirar renda sobretudo das famílias mais pobres, as bets reduziriam a demanda, pesariam sobre o PIB e sobre a arrecadação e aprofundariam a desigualdade, de acordo com o estudo.

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