Em relatório ao Congresso dos EUA, Trump critica Brasil por ação contra PCC e CV
Documento anual sobre narcotráfico diz que as facções fizeram do país um polo da cocaína, mas deixa o Brasil fora da lista de nações que falharam em cumprir obrigações antidrogas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o relatório anual que envia ao Congresso americano sobre o combate às drogas para cobrar o Brasil. Segundo o DPonta News, o documento, datado desta terça-feira (15), afirma que o governo brasileiro não conseguiu enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções que Washington classifica como organizações terroristas estrangeiras.
No texto, Trump contrapõe o Brasil a outros governos do continente que, na avaliação dele, tomaram medidas corajosas para conter o tráfico e desmontar cartéis. O presidente americano diz que as duas facções transformaram o país em um "centro para os fluxos globais de cocaína", classifica-as como ameaça crescente à segurança mundial e afirma que Brasília precisa agir com urgência e de forma agressiva antes que elas se expandam.
Fora da lista mais dura
A crítica não se converteu em sanção formal. O Brasil não aparece entre os países que, pelas leis americanas, "falharam de maneira demonstrável" em cumprir compromissos internacionais contra as drogas — rótulo aplicado a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela. Também ficou de fora da relação dos principais países de produção ou de trânsito de entorpecentes para o ano fiscal de 2027, que inclui, entre outros, México, Peru, China e Índia.
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O relatório elogia governos considerados mais próximos de Washington, como Argentina, Equador e El Salvador, e faz menções positivas a Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, atribuindo a mudança de percepção às trocas recentes de governo nesses países. Além do Brasil, a Nicarágua também é alvo de críticas.
A designação de maio
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio e passou a valer em 5 de junho, com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em uma ordem executiva de Trump. Ela amplia as ferramentas das autoridades americanas para punir pessoas e empresas ligadas aos grupos.
Na época, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que as duas facções estão entre as mais violentas do Brasil e atuam além das fronteiras do país. O governo brasileiro contestou a medida e defendeu que o enfrentamento ao crime organizado cabe ao próprio Brasil, com cooperação internacional e respeito à soberania. O DPonta News informou ter procurado o Itamaraty sobre o novo documento, sem resposta até a publicação.
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