Pular para o conteúdo
Hub News
Economia Brasil

Clubes e casas de apostas calculam perdas com a proibição das bets

As bets patrocinam 14 dos 20 times da Série A e responderam por 7,9% da receita dos clubes em 2025; entidades do setor alertam para a migração de apostadores a sites clandestinos.

Por Hub News

3 min de leitura

Compartilhar:
Telegram Enviar por e-mail Imagem para story Imagem para feed
Imagem ilustrativa: Gramado com linha branca de campo de futebol
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: StockSnap via Pixabay

A proibição das apostas on-line retira do futebol brasileiro o patrocínio máster de 14 dos 20 clubes da Série A. Somados, esses contratos renderam R$ 1,14 bilhão em 2025, o equivalente a 7,9% de tudo o que as agremiações da primeira divisão arrecadaram no ano — elas faturaram R$ 14,9 bilhões e carregam dívidas de R$ 14,3 bilhões.

A dependência é desigual. Em quatro times ela passou de um décimo da receita no ano passado: a maior fatia é a do Corinthians, 17,3%, seguida pela do Flamengo, 12,71%. O Juventude ficou em 10,49%, e o Sport, em 12,64%.

O Flamengo foi o primeiro a reagir. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, prevê para 2027 uma queda de receita de até R$ 430 milhões, com piso de R$ 400 milhões, e diz que, sem preparo, "é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria", em entrevista à CNN Brasil reproduzida pelo GMC Online. Para o conjunto dos clubes, a estimativa que ele apresentou é de R$ 2,5 bilhões a menos por ano.

O argumento das empresas

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que reúne as operadoras autorizadas, classificou a medida como uma "ruptura do marco regulatório" construído pelo próprio Estado. Em nota, lembra que as empresas pagaram outorgas de R$ 30 milhões, válidas por cinco anos, e montaram estruturas para cumprir as exigências do governo.

O principal alerta da entidade é que a demanda não desaparece com a proibição. O instituto cita estudo da LCA Consultores segundo o qual de 38% a 44% das apostas on-line já acontecem hoje em plataformas fora da lei, sem identificação de apostador, limite de gasto ou autoexclusão. Pelo mesmo cálculo, a arrecadação perdida entre 2027 e 2030 ficaria entre R$ 58 bilhões e R$ 73 bilhões. O ND Mais apurou que um projeto de lei destinado a sufocar as plataformas piratas está parado na Câmara desde julho.

O mercado que sai do ar tinha 84 empresas licenciadas e 193 marcas ativas no primeiro semestre, com receita bruta de R$ 20,28 bilhões no período, 6,2% acima do mesmo intervalo do ano anterior. Desse valor, R$ 2,49 bilhões foram destinados por lei a políticas públicas, a maior parte ao esporte. As apostas de quota fixa haviam sido liberadas em 2018, no fim do governo Michel Temer, regulamentadas só em dezembro de 2023 e postas sob fiscalização apenas em 2025.

A resposta do governo

Horas antes de assinar a medida, em evento no Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu à carta em que os clubes pediam a manutenção das apostas. Disse que os times terão de encontrar outra forma de se financiar e que não cabe a eles sobreviver "às custas da dívida do povo pobre" que torce por eles, segundo o O Sul.

Encontrou alguma informação incorreta?

Nos ajude a manter o conteúdo correto.

Você marcou muitas publicações em pouco tempo. Espere um minuto e tente de novo.

Comentários

Nenhum comentário ainda.

Imagens dos leitores

Ainda não há fotos desta publicação. Se você esteve lá, mande a sua.

Leia em outras fontes

O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.