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Segurança São Paulo, SP

Quatro serão indiciados por mortes na Penha; 26 obras ficam paradas

Além dos responsáveis pelas construtoras New Home e Hastiforme, a Polícia Civil vai apontar a fiscal que atestou uma demolição que nunca houve; ela foi afastada por 120 dias pela Controladoria.

Por Hub News São Paulo

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Imagem ilustrativa: Impressionante foto em preto e branco de um arranha-céu moderno, enfatizando a arquitetura urbana em Praia Grande, São Paulo.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Juan Pablo Daniel via Pexels

Seis pessoas morreram quando um prédio em construção caiu sobre uma casa na Penha, na Zona Leste de São Paulo, na madrugada de sábado (12). Pelo desabamento, a Polícia Civil vai apontar ao menos quatro responsáveis, todos por homicídio com dolo eventual: os três investigados que já tiveram prisão decretada e uma fiscal da prefeitura, conforme disse ao g1 o delegado Antônio José Pereira, da seccional de Itaquera.

O enquadramento indica que, para a polícia, quem tocava a obra conhecia o risco de morte e seguiu adiante mesmo assim. Doze pessoas já prestaram depoimento.

Na mesma terça-feira (15), a Controladoria Geral do Município mandou parar 26 empreendimentos das construtoras New Home e Hastiforme, responsáveis pelo edifício. A medida cautelar alcança tanto canteiros em atividade quanto pedidos de licenciamento ainda em análise e vale, segundo a prefeitura, enquanto se apuram as causas e as responsabilidades.

Pela relação dos processos suspensos, obtida pelo g1, os endereços se concentram nas zonas Leste e Sul. Oito são da Hastiforme e 18 da New Home, e dois deles aparecem com pedidos das duas. Apenas cinco têm alvará aprovado; o restante segue indeferido, em análise ou à espera de regularização. Em ao menos oito endereços há sinais de que a obra começou — alguns estão quase prontos ou já terminados, sem licença definitiva.

A fiscal Viviane Rodrigues de Palma, afastada por 120 dias pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi ouvida na segunda-feira (14) pela Controladoria e, na terça, por cerca de duas horas na delegacia. Segundo o g1, ela contou que olhou o imóvel só por fora, em fevereiro de 2024, e que por isso não checou se o que estava de pé correspondia ao projeto aprovado. Ainda conforme o g1, ela disse não ter percebido sinais de risco estrutural, e afirmou que o prédio estava embargado e que a construtora descumpria o embargo.

No depoimento à Controladoria, relatado pelo g1, ela negou ter escrito que a estrutura antiga havia sido derrubada. O veículo teve acesso ao laudo de 2024 e verificou que a informação está lá: o texto conclui que a demolição "foi efetuada em sua integralidade, dando lugar a execução de edificação nova em andamento". Nada havia sido demolido, como o advogado da construtora confirmou ao g1 depois da queda.

A prisão temporária de Ronaldo Vivacqua, apontado pela polícia como dono oculto da New Home, foi mantida na audiência de custódia. Ele foi detido no domingo (13); o filho, Cristiano Vivacqua, que assina a obra, e Isis Brandão, que consta como proprietária da empresa, continuam foragidos. Ao g1, o advogado das empresas negou que Ronaldo fosse sócio oculto, afirmou que ele apenas acompanhava o filho e classificou as prisões como prematuras.

O terreno tem histórico longo. Em 2021 o município recorreu à Justiça para derrubar o que havia ali de irregular e cobrou multa de R$ 119 mil. Em 2022 a construtora levou um novo projeto à prefeitura, e em agosto de 2023 saiu o alvará, com a condição expressa de que a estrutura antiga fosse demolida antes. Das oito pessoas que estavam na casa, duas foram resgatadas com vida; entre os seis mortos há uma menina de 7 anos. A New Home afirmou ter aberto apuração interna e disse não haver elementos para atribuir o desabamento exclusivamente à conduta da empresa.

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