O Museu de Arte Moderna de São Paulo voltou a receber público no dia 12, depois de dois anos com a sede fechada no Parque Ibirapuera. A reabertura vem ao custo de 21,5 milhões de reais em obras, dos quais cerca de 10 milhões saíram da prefeitura de São Paulo — o restante foi levantado em doações de pessoas físicas e de empresas parceiras.
O MAM havia fechado em 26 de agosto de 2024 para que a Urbia, concessionária que administra o parque, terminasse a requalificação da marquise sob a qual o prédio está. O prazo anunciado era de seis meses, e a intervenção levou um ano a mais. Com a marquise entregue em janeiro, o museu partiu para a reforma dos próprios ambientes.
À Veja SP, o curador-chefe Cauê Alves contou que, ao visitar o canteiro há cerca de um ano, encontrou o edifício sem vidros, sem forro, sem banheiros e sem instalação elétrica ou hidráulica, e chegou a pensar que o museu havia acabado antes de concluir que era caso de reconstruir.
Erguido em 1954 por Oscar Niemeyer e adaptado por Lina Bo Bardi em 1982, quando ganhou a fachada envidraçada que o liga ao verde do parque, o prédio é tombado. O projeto de requalificação, do escritório Metrópole Arq, com sinalização do Estúdio CLDT, manteve a arquitetura e mexeu na circulação: desníveis foram eliminados, a bilheteria passou para a área externa e as salas expositivas receberam forro técnico com trilhos móveis, o que dá mais liberdade na montagem das mostras. Educativo, biblioteca e loja foram refeitos, e o ar-condicionado dos anos 1970 deu lugar a equipamentos com controle mais fino de temperatura e umidade. À revista, Cauê Alves afirmou que a conta de luz deve cair.
O restaurante ficou a cargo do Petí Gastronomia, comandado por Victor Dimitrow e Bárbara Camargo, com cardápio inspirado nas exposições. O salão recebeu um trabalho inédito de Carmela Gross, "Brasil à Mão Livre": um mapa deformado do país, desenhado em tubos de LED cor-de-rosa.
A volta é marcada pela 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira, mostra bienal criada em 1969, no ano em que a instituição passou a ocupar o edifício do Ibirapuera. Sob o título "Depois que Tudo Foi Dito", a exposição reúne 33 artistas de onze estados, entre eles Jota Mombaça, Lita Cerqueira e Ana Cláudia Almeida, com curadoria de Diane Lima, que assina o Pavilhão do Brasil na 61ª Bienal de Veneza. À Veja SP, a curadora disse que a edição celebra o pensamento do feminismo negro e a entrada, no circuito, de cosmologias africanas, afro-diaspóricas e indígenas e das culturas dissidentes.
Em novembro, o espaço antes ocupado pela biblioteca vira o Centro de Documentação e Memória. Com 1,4 milhão de reais obtidos em edital da Fapesp, o acervo documental vem sendo catalogado e digitalizado, trabalho que deve seguir por mais dois anos. O museólogo Pedro Nery explicou à revista que a biblioteca sempre guardou também a documentação da instituição, salvaguarda que pesa porque a maior parte da atividade do museu é efêmera, e que pesquisadores nem sempre conseguiam o material pedido. Entram no acervo fotos de exposições antigas, atas, vídeos de performances, arquivos do escritor Luis Martins, cartas de Lina Bo Bardi e os desenhos e maquetes que ela fez para a reforma de 1982.
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e
aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.
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