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Comunidade São Paulo, SP

Acusado de assédio por ex-funcionária, pastor de igreja em Pinheiros pede licença

Arival Dias Casimiro recebeu medida disciplinar no âmbito eclesiástico, e a ação na Justiça terminou em acordo com indenização de R$ 106.347,92 à ex-funcionária da junta missionária.

Por Hub News São Paulo

3 min de leitura

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Imagem ilustrativa: Um interior de igreja sereno com bancos de madeira e luz natural quente entrando pela janela.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: MART PRODUCTION via Pexels

Uma ex-funcionária da Junta Missionária de Pinheiros (JMP) acusa de assédio e abuso espiritual o reverendo Arival Dias Casimiro, que agora está licenciado do pastorado da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), à qual a junta é ligada. A disputa chegou à Justiça e terminou em acordo. De acordo com a igreja, a licença partiu do próprio Casimiro no sábado (12) e teve a concordância do Conselho da IPP.

O caso foi revelado pelo Estadão, que publicou o conteúdo do relato apresentado pela ex-funcionária e a posição da igreja. Procurado pelo jornal, o pastor não respondeu.

O relato da ex-funcionária

Segundo o documento, ela não trabalhava diretamente com Casimiro, mas ele ia com frequência até o setor dela para abraçá-la e opinar sobre como ela se vestia. O relato diz que ele insistia para que ela passasse maquiagem e usasse peças mais curtas e que, na frente de colegas, falou que ainda iria se casar com ela.

Ela descreve também conversas por WhatsApp de 2022 a 2024, que começaram com assuntos de trabalho e depois ganharam tom pessoal. Numa das mensagens citadas, o pastor escreve "você mexe comigo". Em outras, propõe mais de uma vez um encontro longe da igreja, num espaço de convivência do edifício em que morava, para falar dos sentimentos dele. A ex-funcionária pediu que as mensagens parassem e, poucos dias depois, solicitou o desligamento da JMP.

Mesmo fora do emprego, ela continuou indo a cultos em que Casimiro não pregava, mas afirma que ele seguiu se aproximando dela dentro da igreja. Com o tempo, parou de frequentar as celebrações e se afastou do ministério infantil. Ainda conforme o relato, integrantes da administração souberam do caso e houve uma reunião no gabinete pastoral, em que o pastor pediu perdão e disse ter "caído num laço do inimigo" e "invertido os papéis". A saída dela foi registrada como demissão sem justa causa.

O que diz a igreja

Em nota reproduzida pelo Estadão, a IPP confirmou que a ação na Justiça acabou em acordo, homologado judicialmente, e que os dois lados admitiram que algumas mensagens foram "inoportunas, inadequadas e infelizes". A indenização fixada foi de R$ 106.347,92, em pagamento único, e os honorários advocatícios somaram R$ 21.269,58.

A igreja disse ainda que o Presbitério de Pinheiros examinou a denúncia e aplicou ao pastor uma medida disciplinar, sem informar qual. Conforme a IPP, Casimiro admitiu que as mensagens eram inconvenientes, pediu desculpas pessoalmente à ex-funcionária e devolveu à JMP todo o valor pago, de modo que nem a igreja nem a junta tiveram gasto com o caso. Em comunicado pastoral, o Conselho explicou que o assunto não foi divulgado antes por causa do caráter reservado da denúncia e do processo, e disse que está dando apoio ao reverendo e à família dele.

A posição da defesa

Ao Estadão, a defesa da ex-funcionária afirmou que o acordo serviu para protegê-la das pressões que vieram quando o caso se tornou conhecido. Os advogados destacaram que o texto reconhece de forma expressa uma conduta inapropriada, não tem nenhuma declaração em que ela negue o assédio e que ela manteve a acusação no processo da igreja mesmo depois de encerrada a ação judicial.

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