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Segurança São Bernardo do Campo, SP

GCM de São Bernardo fez 587 operações contra pancadões até agosto

As ações da Guarda Civil Municipal terminaram em 63 prisões e no fechamento de 165 estabelecimentos; nas quatro cidades do Grande ABC que informaram os dados, as operações cresceram 43% em um ano.

Por Hub News São Bernardo do Campo

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Imagem ilustrativa: Rua de São Paulo à noite entre prédios, com iluminação pública e trânsito ao fundo.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Vinicius A. Nascimento via Pexels

Entre janeiro e agosto deste ano, a Guarda Civil Municipal de São Bernardo saiu 587 vezes às ruas para conter bailes irregulares e barulho excessivo. O saldo informado pela prefeitura: 63 prisões, 165 estabelecimentos fechados e 18.988 apreensões de drogas. Os moradores acionaram a corporação outras 8.560 vezes por perturbação do sossego.

O dado vem de um levantamento do Diário do Grande ABC, que perguntou a cada prefeitura da região quantas vezes agiu contra os chamados pancadões. Onde houve resposta, o crescimento é de 43%: foram 1.904 ações nos oito primeiros meses de 2026, contra 1.330 no mesmo trecho de 2025, somando quatro municípios — São Bernardo, Santo André, Diadema e Mauá.

Nem toda cidade entrou na conta. A prefeitura de São Caetano respondeu que eventos desse tipo não acontecem por lá. Já Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires não disseram se realizaram alguma operação.

Na comparação entre vizinhos, Diadema lidera em volume: 827 operações e 4.613 ocorrências de barulho atendidas, num município cuja gestão sustenta que os pancadões acabaram. Santo André fica no extremo oposto, com 35 ações. Foi Diadema também que comprou um drone de R$ 365 mil, sem licitação, preparado para lançar bombas de gás lacrimogêneo sobre aglomerações — equipamento que rendeu críticas ao prefeito Taka Yamauchi (MDB).

A leitura de quem estuda o assunto é outra. Ao Diário do Grande ABC, a coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, Andressa Dantas, disse enxergar preconceito contra o gênero musical. O transtorno, para ela, nasce da falta de ordenamento — hora para acabar, limite de volume, seguranças, trânsito organizado, fiscalização da bebida e alguma barreira à ação do crime.

Moradora de Santo André, ela contou ao jornal conviver com som alto de festas perto de casa, e apontou que bares e casas noturnas de bairros ricos geram queixas parecidas sem sofrer a mesma repressão. "O elitismo social tende a culpabilizar a periferia", afirmou. O que falta, na avaliação dela, são políticas de inclusão e espaços culturais para os jovens.

A pesquisadora lembra ainda de onde vem essa cena: o funk desembarcou no Grande ABC nos anos 1970 e cresceu nas periferias sob a ditadura militar, numa região movida pela organização sindical. Entre os nomes locais do movimento estava o DJ King Nino Brown, metalúrgico de profissão.

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