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Segurança Londrina, PR

Promotoria acusa quatro homens por tortura e morte de jovem na zona leste

Denúncia da 16ª Promotoria de Justiça sustenta que a vítima, de 27 anos, ficou em cárcere privado antes de cair do 14º andar em 14 de agosto; MP pede R$ 40 mil de reparação.

Por Hub News Londrina

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Imagem ilustrativa: Fachada de um prédio público com colunas e mastros de bandeira, ao fim da tarde
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Anderson Martins via Pexels

A morte de um jovem de 27 anos num prédio da zona leste de Londrina, no mês passado, virou acusação criminal contra quatro homens. A 16ª Promotoria de Justiça de Londrina, do Ministério Público do Paraná (MP-PR), sustenta que eles prenderam a vítima dentro de um apartamento e a agrediram por horas, até que ela despencasse do 14º andar ao tentar escapar. Os quatro respondem por tortura qualificada pelo resultado morte, com pena agravada pelo cárcere privado, e também por fraude processual.

A queda foi em 14 de agosto, num edifício da avenida Celso Garcia Cid. Os acusados tinham de 22 a 24 anos e dividiam o imóvel. A vítima, identificada pela Folha de Londrina como Alexandre Rodrigues Ramos, costumava ir até lá porque namorava uma das moradoras.

O motivo da violência, pela acusação, foi uma câmera fotográfica de R$ 12 mil: os moradores suspeitavam que o jovem a tivesse levado e estivesse anunciando o equipamento pela internet. Um deles também cobrava uma dívida de R$ 800. Na noite de 13 de agosto, ele foi levado a um dos quartos e ali ficou, amarrado, pela madrugada inteira, submetido a ameaças e agressões e forçado a tomar um sedativo para não conseguir reagir.

Mais de quatro horas depois, conforme a denúncia, o jovem se livrou das amarras enquanto os outros dormiam, rompeu a tela da janela e tentou descer pela parte de fora do edifício. Segundo a Folha de Londrina, o delegado Roberto Fernandes, da Polícia Civil do Paraná (PCPR), disse que ele procurava a sacada do andar de baixo e que ninguém o empurrou. Ainda de acordo com o jornal, o depoimento de uma testemunha e a perícia feita no prédio sustentaram essa conclusão. O laudo necroscópico atribuiu a morte ao impacto.

De suicídio a tortura

Nas primeiras horas, o caso corria como suicídio. A hipótese caiu quando os policiais acharam sinais de que o jovem havia sido agredido antes de cair. Os quatro moradores foram presos em flagrante e continuaram detidos por decisão da Justiça. Segundo a Folha de Londrina, celulares, medicamentos e a extensão elétrica que teria servido para imobilizá-lo foram apreendidos.

A segunda acusação, de fraude processual, trata do que veio depois da queda. Pelo que o MP-PR descreve, os quatro trataram de limpar a cena para que tudo parecesse um salto voluntário: sumiram com o que havia sido usado contra a vítima, apagaram do celular as imagens da violência, largaram os documentos dela numa lixeira da rua, tornaram a fechar a janela e travaram a entrada do apartamento com um colchão, atrapalhando a chegada das equipes de segurança.

Outras duas pessoas estavam no apartamento naquela madrugada: a namorada do jovem e mais um morador. Segundo a Folha de Londrina, ela contou à polícia que sofreu ameaças e não pôde interferir; ele afirmou ter tentado chamar a polícia e ter desistido, também ameaçado.

Além da condenação, o MP-PR quer que a Justiça fixe uma reparação por danos morais de pelo menos R$ 40 mil — R$ 10 mil de cada acusado — em favor dos familiares e herdeiros. A denúncia é a acusação formal e ainda precisa ser recebida pela Justiça. As publicações que noticiaram o caso não trazem manifestação das defesas dos quatro homens, que não foram identificados.

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