Defesa de suspeito de matar estudante em Londrina alega autismo
Preso em flagrante no dia 11, Gabriel de Andrade teve a prisão convertida em preventiva; o advogado dele cita diagnóstico de TEA, e uma ONG da cidade rebateu a associação com a criminalidade.
O advogado que defende Gabriel de Andrade, de 21 anos, preso pela morte da estudante Thaissa de Oliveira Marques, também de 21 anos, pediu que o autismo do rapaz entre na avaliação do caso. Em nota reproduzida pelo GMC Online, Antônio Magalhães disse respeitar a dor dos parentes da jovem e sustentou que seu cliente é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que, no entender da defesa, as autoridades precisam levar em conta. Segundo ele, o rapaz colaborou com a apuração e prestou esclarecimentos.
A alegação provocou reação na cidade. Para a ONG Autimizar, de Londrina, puxar o diagnóstico para o terreno do crime é uma generalização indevida: o transtorno, afirmou a entidade em nota, não explica conduta violenta nem deve ser tratado como se explicasse.
No plano processual, o juízo transformou a prisão em flagrante em preventiva na audiência de custódia do sábado, 12 de setembro — informação do Tribunal de Justiça do Paraná. Gabriel havia sido detido na véspera, dia em que Thaissa foi morta dentro da academia onde trabalhava.
A Polícia Civil informou que ele confessou ter tentado estuprar a jovem e que a matou quando o ato não se consumou. A apuração corre como feminicídio, e a conclusão dos exames periciais é aguardada.
Pelo relato do advogado da família, Mauro Martins, publicado pelo GMC Online, Thaissa distribuía panfletos na porta do estabelecimento, que ainda não havia sido inaugurado, e mostrou o interior ao rapaz. O ataque aconteceu no vestiário, ambiente sem monitoramento por câmera, e a jovem recebeu 46 golpes de faca. Martins defende que a acusação reúna, além do feminicídio e da tentativa de estupro, o meio cruel, o motivo torpe e o recurso que impediu a vítima de se defender.
O Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) da Universidade Estadual de Londrina, que reúne e analisa dados sobre esse tipo de crime, lamentou a morte da estudante e se solidarizou com a família e com a comunidade acadêmica. Para o laboratório, o caso não é isolado, e sim parte de uma estrutura que a entidade acompanha.
Thaissa cursava Nutrição no Centro Universitário Filadélfia (UniFil) e se preparava para o vestibular de Direito.
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