Com alerta de 140 mm, moradores do Canisianas vigiam o Rio das Antas
Boletim do Simepar apontou sexta-feira como dia de risco muito alto na região, e a ouvidoria confirmou que a draga do Rio das Antas ficou parada à espera de licença ambiental.
Antes das 8 horas de quinta-feira (10), dois moradores do bairro Canisianas estavam parados sobre a ponte do Rio das Antas, em Irati, olhando a vazão da água. Os dois já perderam o que tinham em casa para uma enchente e voltaram ao mesmo ponto para conferir de perto o que a previsão do tempo vinha anunciando desde a véspera.
O Boletim de Gestão de Riscos nº 041/2026, do Simepar e da Defesa Civil do Paraná, divulgado em 9 de setembro, projetou acumulado de até 140 milímetros de chuva entre quinta e sexta-feira (11) nos municípios do Centro-Sul. A maior parte do território regional aparece em faixa de risco muito alto na sexta, apontada pelo documento como o dia mais crítico.
Além do volume de água, o boletim previu tempestades severas, rajadas pontualmente severas, descargas elétricas e granizo, com potencial para derrubar árvores, provocar enxurradas e alagamentos, destelhar construções, danificar plantações e interromper o fornecimento de energia. O instituto ligou o quadro a um ciclone extratropical que se formou sobre o Rio Grande do Sul e a uma frente fria em deslocamento pela região Sul, e alertou para ventos que poderiam passar dos 100 km/h em qualquer ponto do estado no fim da tarde e à noite.
Ao jornal Hoje Centro Sul, Cirilo Bernardo, servidor público aposentado que mora no Canisianas há 50 anos, disse que a previsão o preocupa e defendeu uma limpeza mais intensa do rio. "Já perdi tudo em 2014", afirmou. Vizinho dele há 30 anos, Dirceu Bastos contou ao mesmo jornal que a água chegou a três metros dentro de casa naquele ano e questionou por que a draga estava encostada à margem.
Em entrevista à Rádio Najuá na quinta-feira, o ouvidor municipal Renan Daibs confirmou que o equipamento ficou parado por alguns dias. Segundo ele, cerca de 12 quilômetros já foram dragados e a interrupção ocorreu enquanto se aguardava a liberação de um novo lote do serviço, que dependia de autorizações ambientais concedidas recentemente. Daibs acrescentou que a Secretaria de Meio Ambiente limpou galerias e bueiros, medida que, na avaliação dele, evitou transtornos maiores na cidade.
Nos municípios vizinhos, a chuva alterou a rotina escolar. Fernandes Pinheiro suspendeu o transporte escolar no interior por causa do nível dos rios, manteve as escolas abertas e informou que abonaria as faltas de quem não conseguisse chegar. A prefeitura de lá chegou a anunciar a suspensão das aulas e voltou atrás. Em Rebouças, alagamentos em estradas rurais interromperam o transporte escolar na tarde de quinta. Inácio Martins divulgou orientações para o período de tempestade.
A Prefeitura de Irati pediu que os moradores mantenham calhas e ralos desobstruídos, não descartem lixo nas ruas e cuidem dos terrenos. Para emergências, o município indicou os telefones 42 3132-6153 e 156, da Defesa Civil, além do 193, do Corpo de Bombeiros.
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