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Política Curitiba, PR

Ex-delegado pede rastreio da origem do dinheiro na concessão dos ônibus de Curitiba

Wagner Mesquita diz que a investigação sobre o PCC no transporte de São Paulo mostra que analisar proposta e documento não basta para escolher quem vai operar o sistema da capital.

Por Hub News Curitiba

2 min de leitura

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A escolha de quem vai operar os ônibus de Curitiba deveria olhar de onde vem o dinheiro de cada concorrente, e não apenas o preço ofertado e os documentos entregues. A avaliação é de Wagner Mesquita, especialista em segurança pública ouvido pelo Bem Paraná. Ele é delegado aposentado da Polícia Federal e já comandou a Secretaria de Segurança Pública do Paraná.

O alerta chega num momento específico: a capital conduz agora o processo de uma nova concessão do transporte coletivo, com contratos que vão definir a operação do sistema pelos próximos anos.

O que trouxe o assunto para a mesa foi a operação Vectura Corrupta, da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Ela pôs sob investigação empresas do transporte coletivo paulistano suspeitas de ligação com o PCC.

Por que o preço não basta

Para Mesquita, os dois tipos de concorrente não fazem a mesma conta. Uma empresa que está há anos no sistema monta a proposta a partir do custo de operar, da manutenção, do investimento e da folha de pessoal. "No caso de um grupo criminoso, o preço é praticamente irrelevante, pois os recursos vêm de fontes ilícitas", afirmou o especialista, segundo o Bem Paraná.

Daí, na avaliação dele, a análise de uma concessão longa não poder parar no que a empresa prova ter de capacidade técnica, de saúde financeira e de papelada em ordem. Entram na conta quem são os donos de fato do negócio, de onde saiu o capital, o que aquele grupo já operou antes e se os concorrentes têm vínculos entre si.

Ele observa ainda que o interesse de organizações criminosas por empresas regulares não se resume a esconder dinheiro de origem ilícita. Entrar num setor estratégico rende estrutura pronta, informação e presença em território — e abre caminho para que recursos ilegais passem a circular como atividade formal.

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