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Economia Curitiba, PR

Curitiba tem 5.528 restaurantes e vê casas tradicionais fecharem

A base de alvarás da prefeitura aponta 5.528 casas em funcionamento, contra 4.748 há dez anos, enquanto a Abrasel calcula que só cerca de 40% dos estabelecimentos dão lucro.

Por Hub News Curitiba

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Imagem ilustrativa: Mesa de restaurante posta, vazia, ambiente interno.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: nali_wike via Pixabay

Bares e restaurantes conhecidos por mais de uma geração vêm baixando as portas em Curitiba nos últimos meses, e ainda assim o número de casas abertas na cidade é maior hoje do que era há dez anos. Os alvarás em vigor somam 5.528 restaurantes, conforme a base da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamentos. Uma década antes, o registro apontava 4.748, alta de 16,4%.

O que explica as duas coisas acontecerem juntas é a distância entre vender e lucrar. Ao Bem Paraná, o presidente da Abrasel no Paraná, Luís Fernando Menuci, afirmou que só cerca de 40% dos restaurantes dão lucro de fato. As vendas, essas, vêm subindo: o Índice Abrasel-Stone registrou alta de 7,4% em agosto sobre o mesmo mês de 2025, o décimo primeiro mês seguido de crescimento na comparação anual, ainda que com recuo de 0,2% em relação ao mês anterior. No estado, o avanço de agosto foi de 4%, o que deixou o Paraná na 19ª posição entre os 24 avaliados — no total, 23 unidades da federação registraram alta.

Do lado da despesa, Menuci cita a energia elétrica, a carne e o gás entre os itens que pressionam a operação, e diz que o repasse ao cliente esbarra no bolso dele. "A gente tem dificuldade de passar o preço do valor da inflação do período. Porque os nossos clientes também estão na situação de não poderem pagar mais pelo serviço", afirmou. O IPCA-15 de agosto de 2026 marcou deflação de 0,40%, com 3,09% no acumulado do ano e 4,24% em doze meses — índice geral que não se traduz, porém, em queda dos custos específicos de uma cozinha.

O peso dos aplicativos

O delivery ampliou o alcance das casas e criou uma linha de custo que antes não existia. O Paraná está entre os estados onde mais se procura entrega: numa pesquisa do iFood sobre compras de mercado, os paranaenses só ficam atrás de paulistas e de brasilienses. Estar no aplicativo, porém, não significa margem maior. Segundo Menuci, contratos com taxa perto de 23%, somados a promoções e a outros encargos, podem levar quase metade do preço do produto para a plataforma.

A conta fica visível num exemplo simples: num sanduíche de R$ 30, R$ 15 vão para o aplicativo e R$ 10 cobrem a mercadoria, sobrando por volta de R$ 5. Dados divulgados pela Abrasel em setembro indicam que os aplicativos já concentram 58% das vendas por delivery.

Também mudou o que faz o cliente voltar. Menuci descreve como "experiência de vivência" a relação capaz de convencer o consumidor de que o valor pago correspondeu ao que ele recebeu — exigência mais pesada, segundo o dirigente, justamente para as casas independentes e antigas, que carregam custo alto e disputam um público com muito mais opções à mão.

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