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Crítico de cinema Paulo Camargo estreia na ficção com romance sobre 1985

A autoficção se passa em Curitiba no ano da transição democrática e acompanha dois jovens em uma relação de afeto; a pré-venda pela Editora Minimalismos vai até 20 de setembro.

atualizado em 10/09, 20:27 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Close-up de páginas de livro antigo com iluminação quente, mostrando papel amarelado e texto em português.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Kássia Melo / Pexels

O jornalista e crítico de cinema Paulo Camargo publica seu primeiro romance, "Alguém Que Vi de Passagem", ambientado em Curitiba em 1985. O livro sai pela Editora Minimalismos e está em pré-venda até 20 de setembro, conforme o material do lançamento divulgado pelo Mural do Paraná e pelo HojePR.

A escolha do ano não é acidental: 1985 marca o encerramento do regime militar e o começo da redemocratização, e é nesse pano de fundo que a narrativa se instala. O centro da história, porém, é íntimo. Paulo, de 19 anos, procura entender quem é e onde cabe num país que também está se reinventando. Ao lado dele está João, e a amizade entre os dois se converte em amor, num tempo em que assumir isso significava enfrentar a homofobia e o conservadorismo da cidade.

O autor classifica o livro como autoficção: parte de coisas que viveu, mas se permite inventar cenas, detalhes e até personagens. Ao Mural do Paraná e ao HojePR, Camargo afirmou que a memória e as experiências pessoais atravessam o texto, e que a ficção o levou a territórios que uma crônica ou uma crítica não alcançariam.

A forma acompanha essa aposta. O relato não segue linha cronológica e se apresenta em fragmentos, escolha que o escritor associa à própria formação de cinéfilo, o hábito de reparar no que uma cena mostra sem precisar explicar.

Outro fio que ele destaca é o funcionamento da lembrança. Ainda segundo as declarações reproduzidas pelos dois portais, recordar é sempre reconstruir, porque lembrar não restitui o fato como ele foi: sobram estilhaços avulsos, um endereço, uma canção, um gesto. Daí a ideia de que o romance trata, acima de tudo, dos encontros que mudam uma pessoa e das figuras que seguem presentes muitos anos depois.

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