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ONU adota mapa-múndi que corrige o tamanho da África, com voto contrário dos EUA

Foram 164 votos a favor da projeção Equal Earth, proposta em 2018, que devolve ao continente africano a proporção real perdida no desenho de Mercator, onde ele parecia do tamanho da Groenlândia.

atualizado em 11/09, 02:40 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Um mapa-múndi de estilo vintage apresentando continentes com sombras e luzes dramáticas que adicionam profundidade e mistério.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Nothing Ahead / Pexels

Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a troca do mapa-múndi usado pelas Nações Unidas. Segundo a Folhapress, a resolução passou na sexta-feira (4) na Assembleia-Geral e recomenda a projeção Equal Earth no lugar da de Mercator, criticada por inchar umas partes do planeta e encolher outras.

O placar, ainda conforme a agência, foi de 164 votos favoráveis, o Brasil entre eles. Vinte e duas delegações não compareceram à votação. Outras seis preferiram se abster: Ucrânia, Sérvia, Moldova, Lituânia, Geórgia e Estônia.

O que está em disputa é o tamanho aparente dos continentes. Qualquer mapa plano deforma alguma coisa, porque a Terra é uma esfera, e no traçado de Mercator a deformação cresce conforme se caminha em direção aos polos. O efeito mais conhecido está no continente africano, que ali parece ter a área da Groenlândia — quando é 14 vezes maior.

Quem levou o texto ao plenário foi o Togo, depois de uma campanha da União Africana. O desenho alternativo é de 2018 e saiu do trabalho do cartógrafo Tom Patterson ao lado do engenheiro Bojan Savric e do professor Bernhard Jenny. Em declaração reproduzida pela Folhapress, Patterson comentou que a maioria das pessoas acha o novo mapa simplesmente esquisito quando bate o olho nele.

A delegação americana justificou o voto dizendo que a medida atendia a uma "agenda ideológica" e tirava o foco de questões de fato ligadas à paz, à prosperidade e às boas relações entre países.

Não é a primeira vez que a cartografia entra na política externa do governo de Donald Trump. Ele rebatizou o golfo do México de golfo da América e usou a mudança para barrar de entrevistas na Casa Branca jornalistas da agência Associated Press que não adotaram o novo termo, depois incorporado por Google e Apple em seus aplicativos. Na queda de braço tarifária com o Canadá, trocou o nome do lago Ontário para lago América. Já durante a guerra com o Irã, sugeriu chamar o estreito de Ormuz de estreito de Trump.

Em julho, slides apresentados pelo Departamento de Estado numa conferência sobre Aids no Rio de Janeiro traziam países africanos no lugar errado. O órgão assumiu "total responsabilidade" pela confusão.

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