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Na ONU, Trump ameaça ação militar contra cartéis na América Latina

O presidente dos Estados Unidos afirmou que o país usará seu poderio militar se julgar necessário, meses depois de seu governo classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas.

Por Hub News

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Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Anfaenger via Pixabay

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (23) que seu país está disposto a empregar força militar na América Latina para atingir o tráfico de drogas. A declaração foi feita em Nova York, no discurso de abertura do Debate Geral da Assembleia-Geral da ONU, em que ele foi o segundo chefe de Estado a falar — a tradição da casa reserva a primeira fala ao Brasil, representado por Luiz Inácio Lula da Silva, e a seguinte ao país que sedia o encontro.

Trump comparou os cartéis da região ao Estado Islâmico, ao chamá-los de "Isis do hemisfério Ocidental", e classificou os grupos como "inimigos em guerra com a civilização". Disse ainda que Washington não vai mais tolerar ameaças vindas de qualquer ponto do hemisfério e que, "se necessário", empregará seu poderio militar para defender interesses americanos. Em nenhum momento mencionou o Brasil ou Lula, mas foi o próprio governo dele que, em maio, incluiu o PCC e o Comando Vermelho na lista americana de organizações terroristas.

Como exemplo, citou a Venezuela: afirmou que o país tinha equipamento militar de primeira linha comprado de outras nações e que isso não impediu a ação dos Estados Unidos.

A guerra com o Irã

Sobre o conflito iniciado no fim de fevereiro, Trump afirmou ter diante de si uma escolha — fechar um acordo com Teerã ou, nas palavras dele, "aniquilar a República Islâmica" sem deixar chance de recomposição. Em seguida, previu que os dois lados chegarão a um entendimento logo depois das eleições legislativas americanas, marcadas para o início de novembro. Justificou a guerra dizendo ter oferecido todas as oportunidades de negociação e que o Irã não pode ter arma nuclear.

Cuba, Venezuela e tecnologia

O presidente americano também disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, tenta um acordo com Cuba, país que enfrenta apagões sob sanções dos EUA, e acusou o governo da ilha de manter laços com grupos radicais de esquerda em território americano. A delegação cubana deixou o plenário durante a fala. Depois, o chanceler Bruno Rodríguez escreveu na rede X que Trump propaga mentiras e que Washington não consegue aceitar Cuba como país soberano e independente.

Segundo o Bem Paraná, a passagem por Nova York inclui ainda encontros diplomáticos paralelos. Um deles é uma conversa reservada com Delcy Rodríguez, que comanda a Venezuela desde a queda de Nicolás Maduro — preso em janeiro por uma operação de militares americanos e levado para responder a processos na Justiça dos EUA. Será o primeiro encontro presencial entre os dois. À frente do governo venezuelano, ela negocia com Washington petróleo, recuperação econômica e a reestruturação da dívida do país.

Ao tratar de inteligência artificial, Trump disse que não tomará medidas para frear a tecnologia, criticou quem aponta efeitos nocivos dela e anunciou que sua gestão passará a usar o termo "superinteligência". Na Assembleia, as falas de chefes de Estado e de governo se estendem até a segunda-feira que vem.

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