Kremlin diz que Ucrânia vai pagar por ataques e mantém ofensiva militar
Porta-voz de Putin endureceu o tom nesta segunda (28), dias depois de o secretário de Estado americano citar interesse dos dois lados numa trégua limitada a energia e grãos.
O governo russo afirmou nesta segunda-feira (28) que a Ucrânia está sendo cobrada pelos ataques que fez contra a Rússia nos últimos meses, e que a cobrança vai continuar. Questionado sobre o efeito dessas ofensivas nas conversas de paz, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Kiev "terá que pagar um preço" e que é isso o que ocorre agora, com as Forças Armadas russas levando adiante o que Moscou chama de operação militar especial.
A declaração veio três dias depois de uma fala de Vladimir Putin. Na sexta-feira (25), o presidente russo disse que aceitaria retomar a negociação com Kiev passadas as eleições parlamentares russas de setembro. No mesmo discurso, reclamou de um grande ataque ucraniano contra Moscou durante a votação, de ofensivas que, segundo ele, miraram seções eleitorais e de drones lançados contra São Petersburgo em junho, enquanto a cidade sediava um fórum econômico. Putin afirmou que todas as propostas de solução seguem sobre a mesa, mas que a Rússia vai pesar o que atende ao próprio interesse.
Trégua parcial em discussão
Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio disse na quarta-feira (23) que russos e ucranianos mostraram disposição para um cessar-fogo restrito a alvos de energia e ao transporte de grãos. Na avaliação dele, isso não terminaria a guerra, mas reduziria parte dos efeitos do conflito sobre o resto do mundo e poderia abrir caminho para um acordo maior.
Rubio explicou que cada lado ataca a energia do outro por um motivo: Kiev tenta cortar uma fonte de receita de Moscou, e Moscou busca derrubar a rede elétrica ucraniana antes do inverno. Ele disse ainda que Washington segue aberto a conversar com Putin e espera vê-lo na reunião do G20, em dezembro.
Enquanto isso, os bombardeios continuam. Um ataque com drones russos atingiu vários pontos de Kiev, entre eles um posto de combustível numa rodovia de tráfego intenso, um dia depois de Volodymyr Zelensky se reunir com Donald Trump na sede da ONU, em Nova York. O prefeito Vitali Klitschko informou oito feridos, um dos quais morreu no hospital. Zelensky disse ter tratado com Trump de uma possível trégua bilateral para instalações de energia.
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