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Brics abre cúpula na Índia e aprova apelo por moderação com apoio de Irã e Emirados

No primeiro dia em Nova Délhi, Xi criticou tarifas "arbitrárias", Modi disse que o bloco não é contra ninguém e Lula foi representado pelo chanceler Mauro Vieira.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Fileira de bandeiras de diversos países em mastros diante de uma cortina vermelha, em ambiente de encontro diplomático.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Mike van Schoonderwalt / Pexels

A 18ª cúpula do Brics começou no sábado (12) em Nova Délhi, na Índia, com uma declaração conjunta que pede máxima moderação na guerra no Oriente Médio — e que teve a adesão do Irã e dos Emirados Árabes Unidos, dois membros em choque desde o início do conflito. O gesto dos dois países foi visto como sinal de avanço diplomático, segundo a Reuters, em texto publicado pelo InfoMoney.

O documento manifesta preocupação com a escalada das tensões na região, pede proteção aos civis e respeito à soberania e à integridade territorial dos países e defende a segurança do comércio global, das cadeias de abastecimento, dos fluxos de energia e da navegação. Os líderes também condenaram sanções aplicadas sem autorização da ONU, informou o Estadão Conteúdo. O texto não cita os Estados Unidos.

O impasse entre Teerã e Abu Dhabi já havia impedido o bloco de divulgar um comunicado conjunto neste ano, e o Kremlin temia que isso se repetisse, de acordo com a Folhapress, em reportagem publicada pelo Bem Paraná. O Irã atacou os Emirados várias vezes durante a guerra — a mais recente no fim de agosto, contra a Base Aérea de Al Minhad, que abrigava forças e helicópteros americanos, segundo a Reuters. À margem da cúpula, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o xeique Khaled bin Mohamed, herdeiro do trono de Abu Dhabi, no encontro de mais alto nível entre os dois países desde o começo do conflito. A assessoria de Abu Dhabi informou no X que eles trataram de redução das tensões e de estabilidade regional, sem anunciar resultado concreto.

Recados sobre comércio

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu aos membros que se oponham a tarifas comerciais "arbitrárias" e rejeitem qualquer forma de protecionismo, segundo a agência estatal Xinhua, sem mencionar diretamente os Estados Unidos. É a primeira vez em sete anos que Xi vai à Índia; no ano passado, quando o Brasil sediou o encontro, ele não compareceu, lembrou a Folhapress.

Anfitrião, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, adotou tom conciliador ao abrir os trabalhos. Disse que "o Brics não é contra ninguém", que o bloco chegou a um momento de amadurecimento e que o Sul Global deve passar a ajudar a formular as regras da governança mundial. Modi também propôs uma rede de marinheiros do Brics para proteger os trabalhadores do mar, mais expostos com as interrupções no transporte marítimo causadas pela guerra envolvendo o Irã.

Estavam previstos na pauta cooperação econômica, energia, segurança alimentar, tecnologia e reforma das instituições internacionais, além da redução da dependência do dólar, com mais uso das moedas dos próprios membros no comércio entre eles, conforme o Estadão Conteúdo.

Quem foi

O Brasil é o único dos fundadores sem o principal líder à mesa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi representado pelo chanceler Mauro Vieira. Além de Xi e Modi, participaram o russo Vladimir Putin e o sul-africano Cyril Ramaphosa. Milhares de policiais e agentes paramilitares foram mobilizados em Nova Délhi, com bloqueios e desvios no trânsito.

O encontro também reúne as duas potências nucleares da Ásia, que tiveram confrontos de fronteira nos últimos anos. Modi e Xi não conversaram em separado na reunião da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão, há uma semana; segundo a Folhapress, havia expectativa de uma bilateral na capital indiana.

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