Hopi Hari volta a custear cuidados de jovem ferida na Montezum
Administradora de 28 anos teve traumatismo craniano em abril e passou por novas cirurgias em agosto; a atração já acumulava outros relatos de lesão grave, e promotoria e polícia apuram as condições de segurança.
O parque Hopi Hari informou que voltará a pagar os cuidados de uma administradora de 28 anos que perdeu movimentos depois de andar na montanha-russa Montezum, em Vinhedo, no interior paulista. Em nota enviada ao Estadão na segunda-feira (21), a direção do parque disse ter identificado uma "lacuna" entre a alta hospitalar da jovem e o início da recuperação na cidade onde ela vive, e afirmou que o pagamento será retroativo à data da alta.
O anúncio veio um dia depois de o caso ir ao ar no Fantástico, da TV Globo, e na mesma segunda em que a família relatou que a assistência havia sido interrompida.
O que aconteceu em abril
Júlia Bossoni saiu de Londrina com o marido para visitar o parque. O casal andou na Montezum e, com um passe extra, voltou para uma segunda volta na atração — dessa vez ela retornou desacordada, conforme a reportagem da Veja São Paulo. Atendida no ambulatório do parque, foi levada à Santa Casa de Vinhedo e internada na UTI. O laudo entregue à família registrou traumatismo cranioencefálico, com hemorragia dentro do crânio. A jovem perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e passou a ter dificuldade para falar.
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Foram 57 dias de internação em Vinhedo antes da transferência para Londrina. Foi aí, diz a família, que o apoio parou. Em entrevista à EPTV reproduzida pelo Estadão, a mãe, Danielle Rímoli, afirmou que o seguro cobriu apenas hospedagem e alimentação dos parentes por dois meses: "Eles sumiram e não deram mais um centavo".
Entre 4 de agosto e 5 de setembro, Júlia voltou a ser internada para novas cirurgias na cabeça: o couro cabeludo havia aderido ao cérebro depois da primeira operação de emergência, e foi preciso tratar também um acúmulo de líquido, a hidrocefalia. "Regrediu. Os movimentos, a fala e as reações ficaram bem limitados", disse a mãe à emissora. Hoje a jovem faz fonoaudiologia, fisioterapia e eletromodulação todos os dias.
A apuração e outros relatos
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O episódio é apurado em duas frentes. A Polícia Civil investiga o que houve no brinquedo. A promotoria estadual também acompanha o caso, com perícia na montanha-russa. Em julho, segundo a Veja São Paulo, o próprio Ministério Público havia emitido parecer no sentido de que não existia risco coletivo, depois de outra passageira relatar dores na região cervical.
Não é o primeiro relato de lesão grave na atração. Em 2018, a professora Nathalia Assenjo Motta teve vértebras deslocadas e precisou de cirurgia, com 12 pinos na região cervical e mais duas hastes. Ao Fantástico, ela contou que numa curva o pescoço sofreu um "mecanismo de chicote" e que o corpo "desligou totalmente"; ficou com sequelas e sem mobilidade no pescoço, e recebeu do parque indenização por danos materiais. Quatro anos antes, o motoboy Márcio ficara tetraplégico depois de andar no mesmo brinquedo — laudos apontaram esse mesmo movimento como origem do quadro neurológico, afirmou ao programa o advogado da família, João Erhardt. Ele morreu em 2023, por complicações de uma infecção urinária. A reportagem localizou ainda ao menos 40 registros de reclamações publicados nos últimos dois anos numa plataforma de avaliação.
O parque nega falha. Afirma que a Montezum tem certificação do Grupo TUV Nord, passa por inspeções periódicas e tem rotina diária de manutenção, e que segue a norma brasileira para parques de diversões. Diz também ter recebido mais de 5,5 milhões de visitantes em cinco anos e atribui a gestões anteriores as ocorrências de anos passados citadas na reportagem da TV. Sobre a indenização pedida pela família, informou que o processo corre nos trâmites normais.
Inaugurada em 1999, a Montezum tem cerca de 42 metros de altura, é apresentada como a maior montanha-russa de madeira da América Latina e atinge 103 km/h.
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Leia em outras fontes
- Veja São Paulo — Entenda o caso da jovem que perdeu os movimentos após impacto no Hopi Hari 21/09/2026
- Estadão — São Paulo — Hopi Hari cortou ajuda a jovem que perdeu movimentos após andar em montanha-russa, afirma mãe 21/09/2026
- G1 Campinas e Região — Atração do Hopi-Hari já foi alvo de outras denúncias de acidentes 23/09/2026
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens ou vídeos oficiais, acesse os links acima.
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