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Economia Rio Grande do Sul

Sem programas sociais, extrema pobreza no RS saltaria de 1,7% para 4,5%

Caderno do governo gaúcho sobre o ODS 1 reúne indicadores de 2015 a 2025 e mostra que a proporção de pessoas com deficiência inscritas no Cadastro Único mais que triplicou no período.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Rosewood São Paulo, Penthouse Suite, no 25º da Torre Mata Atlântica, Cidade Matarazzo, Bela Vista, São Paulo/SP
Foto: Pedu0303 via Wikimedia Commons (CC0)

Em 2025, 1,7% dos moradores do Rio Grande do Sul viviam com menos de US$ 3 por dia, o corte que define extrema pobreza no padrão internacional, calculado em paridade de poder de compra de 2021. Se o cálculo ignorasse o dinheiro pago por programas sociais, essa fatia seria bem maior: 4,5%.

No país, a distância é ainda mais larga. A proporção abaixo da mesma linha foi de 4,3% em 2025 e chegaria a 10,7% sem as transferências de renda.

Os números fazem parte de um caderno sobre o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, o da erradicação da pobreza, que cobre uma década de indicadores gaúchos, de 2015 a 2025. A publicação saiu pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), órgão da Secretaria estadual de Planejamento, Governança e Gestão. Conforme o Leouve, que noticiou o estudo, o texto é do pesquisador Felipe Nathan Ferreira dos Santos. A revisão técnica coube a Raul Luís Assumpção Bastos.

O que a linha nacional mostra

Pelo corte brasileiro, que considera renda de até R$ 218 por morador do domicílio, a parcela de gaúchos nessa situação recuou de 1,8% em 2015 para 1,4% em 2024. Entre quem vive com um quarto a meio salário mínimo por pessoa, a queda foi de 12,9% para 9% no mesmo intervalo.

A pobreza extrema tampouco se reparte por igual. Ela alcançava, em 2025, 1,8% das mulheres e 1,6% dos homens do estado. Por cor ou raça, o indicador ficava em 2,2% para pretos e pardos e em 1,6% para brancos.

Quem está no Cadastro Único

O caderno também traça o perfil dos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais. As mulheres eram 57,6% do total gaúcho em 2025. Brancos respondiam por 76,1%, e pretos e pardos, por 23% — dez anos antes, esse último grupo era 19%.

A mudança mais forte veio das pessoas com deficiência: elas eram 3,9% dos cadastrados no estado em 2015 e chegaram a 12,8% em 2025. No conjunto do país, a participação foi de 2,4% para 8,1%.

Dois em cada três domicílios com beneficiários do Bolsa Família no Rio Grande do Sul já dispunham, em 2025, de ligação à rede geral de esgoto, à rede pluvial ou de fossa conectada à rede.

O acesso à internet avançou no período: 97,1% dos gaúchos moravam em domicílios conectados em 2025, contra 78,8% em 2016. E 77,1% dos ocupados com 14 anos ou mais recolhiam para algum instituto de previdência, taxa acima da média brasileira, de 65,6%.

A marca da enchente de 2024

A cheia de maio de 2024 aparece entre os indicadores de exposição a desastres. Com dados do IBGE reunidos na publicação, a enchente atingiu 478 dos 497 municípios gaúchos e afetou cerca de 2,4 milhões de pessoas. O balanço registra 183 mortes, 27 desaparecimentos e 806 feridos, além de 146 mil desalojados e mais de 50 mil desabrigados. O indicador de exposição do estado naquele ano foi de 7.220,2 pessoas mortas, desaparecidas ou diretamente atingidas para cada grupo de 100 mil habitantes.

Em 2013, 23,1% dos municípios gaúchos tinham estratégia própria de redução de risco de desastres. Em 2020, eram 56,7%. A média nacional subiu de 23,1% para 47% no mesmo intervalo.

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