RS deixou de colher 48,6 milhões de toneladas de grãos em seis safras
Levantamento da Farsul calcula R$ 126,3 bilhões de prejuízo no campo entre 2020 e 2025, e o estado acumula R$ 45 bilhões em crédito rural em atraso, inadimplência ou renegociação.
Quem vive da produção rural no Rio Grande do Sul enfrenta uma conta que se acumula há seis safras. Entre 2020 e 2025, o estado deixou de colher 48,6 milhões de toneladas de grãos em relação ao que se esperava. O número é de um levantamento da Farsul, entidade que representa os produtores gaúchos. A perda direta no campo foi calculada em R$ 126,3 bilhões; somados os reflexos sobre indústria, comércio e serviços, a conta chega a R$ 319,2 bilhões.
A alternância entre estiagens e enchentes está por trás desses números, e mudou o jeito de planejar a safra. Erico Toniolo cria gado e planta milho em Viamão. Ao G1 Caxias do Sul, ele resumiu o impasse: "A gente não pode fazer dívida contando com o que vai colher, porque não sabe se vai colher". A falta de sucessão nas propriedades aparece no mesmo pacote de dificuldades apontadas pelo setor.
Irrigação avança só no arroz
Uma das saídas apontadas é irrigar mais — e o contraste entre as lavouras é grande. Na safra 2025/2026, a área de arroz estava 99,9% irrigada, enquanto no milho o índice ficava em 17,4% e, na soja, em 3,8%, conforme a Secretaria da Agricultura do RS.
O governo estadual mantém um programa que banca até 20% do valor de projetos de irrigação e de reservação de água, com teto de R$ 150 mil por produtor. Entidades do setor querem linhas de crédito específicas e desoneração para espalhar a tecnologia. O produtor Carlos Eduardo Braga Pires, que planta em São Luiz Gonzaga, irriga desde 2012 e disse ao G1 Caxias do Sul que o investimento derrubou o risco e tornou a produção mais previsível.
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Dívida alta e menos produtores de leite
O G1 Caxias do Sul apurou que o estado soma R$ 45 bilhões em crédito rural em situação de atraso, inadimplência ou renegociação.
Na bacia leiteira, o preço instável somado ao custo mais alto encolheu a capacidade de investir — e encolheu também o número de quem produz: eram 84 mil produtores em 2015 e 29 mil em 2025, conforme a Fetag-RS.
Nilson Luiz Costa é pesquisador da UFSM, onde coordena o núcleo dedicado à economia do agronegócio. Em entrevista ao G1 Caxias do Sul, ele afirmou que a saída para o endividamento não está apenas em renegociar, e defendeu medidas escalonadas no tempo, com mais investimento em irrigação acompanhado do fomento ao seguro privado.
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