Barragem em São Marcos: nível cai, mas governo mantém emergência e área isolada
A Corsan afirma que não há risco de rompimento nas condições atuais e o reservatório baixou para 3,4 metros, mas cerca de 180 pessoas seguiam fora de casa na noite de sexta-feira.
A barragem Arroio São Luiz, em São Marcos, na Serra, terminou a sexta-feira (25) em condição melhor que a da véspera — e ainda assim fechada. As medições e os testes de movimentação feitos durante o dia levaram a Corsan a afirmar que não há risco de rompimento nas condições verificadas, e a companhia chegou a prever que a estrutura deixaria a emergência em poucas horas. O informe que o governo do Estado publicou no início da noite, porém, manteve a barragem em nível de emergência, com a área isolada e a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura acompanhando.
O que destravou a sexta-feira foi a queda do reservatório. Às 8h a régua marcava 3,66 metros; no começo da tarde, 3,49; à noite, os 3,4 metros que as equipes tratam como patamar seguro. A mobilização havia começado na quarta-feira (23), quando uma vistoria encontrou trincas no vertedouro e no contraforte depois da chuva que encheu o reservatório de forma atípica — 174 milímetros em um dia, conforme medição do Climatempo divulgada pelo g1.
O que as equipes ainda fazem
Mergulhadores começaram nessa sexta a tapar as fissuras com material isolante. O prefeito Volmir Rech explicou à Rádio Caxias que o procedimento obriga a desligar as bombas, para não pôr os profissionais em risco, e leva cerca de três horas — tudo isso sem baixar demais a represa, que abastece a cidade.
A drenagem corre em paralelo. Seis equipamentos retiram do reservatório cerca de 3,2 milhões de litros por hora, despejados de forma controlada no rio Jaguari. Parte das bombas foi emprestada pelo Dmae, de Porto Alegre, e chegou ao município na noite de quinta-feira (24).
Quem está fora de casa
As contagens não batem: a Corsan e o Agora RS registraram cerca de 170 moradores retirados das áreas de risco, enquanto o g1 falava em cerca de 180 pessoas ainda fora de casa na sexta — a maioria acolhida por parentes e amigos, e a companhia paga a hospedagem de quem foi para hotéis da região.
A Escola Municipal Antônio Pessini segue sem aulas. Se a interdição se arrastar, os 220 alunos passam temporariamente para o Colégio Estadual São Marcos. Pelo mapeamento da mancha de inundação, 28 edificações ficam na faixa mais próxima da estrutura e outras 31, além de uma ponte, na faixa seguinte; o governo gaúcho afirmou que uma eventual onda não chegaria a Porto Alegre nem às ilhas do Guaíba.
Por que o alerta não cai
O retorno das famílias depende de três condições, disse à Rádio Caxias o tenente-coronel Marcelo Almeida de Souza, que coordena a Proteção e Defesa Civil na região: o nível da água, a solução das fissuras e a confirmação de que a barragem oferece segurança à comunidade. Quando isso se fechar, um laudo assinado pela Corsan rebaixa a classificação de emergência para alerta.
Mesmo com a melhora, as bombas continuam ligadas e o monitoramento segue ininterrupto. O motivo está na previsão: há novas chuvas a caminho do estado a partir deste fim de semana, e as equipes querem margem de sobra no reservatório antes que elas cheguem.
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