Sericicultura no Paraná: FAEP leva cursos a produtores para reduzir perdas nas criações
Setor movimentou R$ 53 milhões no estado em 2024, mas perde criadores: em Nova Esperança, que já teve cerca de 2 mil sericicultores, restam menos de 100, segundo uma produtora local.
Criadores de bicho-da-seda do Paraná estão recebendo treinamento do Sistema FAEP para melhorar o manejo das criações e diminuir as perdas. Os cursos foram pedidos pelos sindicatos rurais e já tiveram duas turmas: a primeira em julho, em Nova Esperança, e a segunda no começo de setembro, em Cianorte.
A atividade tem peso na economia do estado. Em 2024, gerou R$ 53 milhões no Paraná: R$ 44,5 milhões com casulos, com Diamante do Sul entre os destaques, e R$ 8,5 milhões com a produção de larvas, concentrada em Umuarama.
Cada vez menos criadores
A turma de Nova Esperança, cidade conhecida como Capital da Seda, foi formada sobretudo por sericicultores com mais de duas décadas no ramo. As aulas ficaram a cargo da especialista Alessandra Silva, professora de sericicultura no ensino superior. No texto publicado pela Folha de Irati, ela lembrou que o Paraná é o principal polo de produção de casulos do país, alertou que a atividade encolhe mês a mês e defendeu medidas para manter quem está nela e atrair novos produtores.
No mesmo relato, a produtora Eliane Bassi, que trabalha com o bicho-da-seda desde a infância — a família começou em 1983 —, contou ter perdido 40% da última safra e disse conhecer colegas que perderam toda a produção, em alguns casos em várias criações seguidas. Entre as causas, ela citou problemas sanitários nas larvas e a deriva de defensivos aplicados em propriedades vizinhas. Segundo ela, Nova Esperança já teve cerca de 2 mil sericicultores e hoje tem menos de 100.
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A propriedade da família tem 19 mil metros quadrados de amoreiras, planta que alimenta as lagartas, e recebe três caixas de larvas por ciclo, com cerca de 40 mil unidades cada. São, em média, oito criações por ano.
Orientações por escrito
Além dos cursos, o Sistema FAEP preparou uma nota técnica com recomendações para todas as fases, do cuidado com o amoreiral e as instalações à sanidade das lagartas e à colheita dos casulos. Uma das orientações é limpar e desinfetar o barracão entre quatro e seis dias antes da chegada das lagartas, incluindo camas de criação, paredes, teto, depósitos e utensílios.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a produtividade e a qualidade da seda dependem de boas práticas em todas as etapas e que a entidade continuará oferecendo cursos e buscando políticas públicas para o setor.
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