Produtores rurais do Paraná relatam dias sem luz após temporais, e FAEP cobra a Copel
Criadores de peixe, gado de corte e leite descrevem cortes longos, protocolos que somem e gasto diário alto com diesel; federação orienta registrar queixa no Consumidor.gov.br.
Propriedades rurais do Noroeste, do Oeste e dos Campos Gerais ficaram dias sem energia elétrica, ou com fornecimento incompleto, depois dos temporais do fim de agosto. O Sistema FAEP, entidade que representa os produtores do estado, voltou a cobrar da Copel investimento na rede e rapidez no atendimento. Os relatos foram publicados pela Folha de Irati nesta terça-feira (15).
O caso mais amplo está no Noroeste: em Xambrê, Perobal e Rondon, mais de cem produtores ficaram sem luz depois da tempestade de 31 de agosto e tiveram leite estragado por falta de refrigeração. Em Marechal Cândido Rondon e em Porto Amazonas, os cortes chegaram a 48 horas. O material também aponta chamados dados como encerrados sem que o defeito fosse corrigido, e técnicos que chegavam ao local sem enxergar o pedido feito pelo cliente.
O que contam os produtores
Nos depoimentos reproduzidos pela Folha de Irati, a pecuarista Simone de Paula, de Rondon, diz que a luz caiu no domingo, 30 de agosto, e só voltou às 17h30 da quinta-feira seguinte (3). Sem eletricidade, faltou água para o gado de corte, o gerador ficou ligado o tempo todo e comida guardada em freezers se perdeu.
Em Marechal Cândido Rondon, o piscicultor Claus Lemmertz teve um cabo rompido pouco antes do meio-dia de 2 de setembro. Pelo relato dele, a equipe da Copel levou quase quatro horas para aparecer, o conserto só terminou no começo da noite, e mesmo assim outras propriedades da vizinhança seguiram no escuro — ninguém conferiu as chaves da rede. Para não perder os peixes, ele mantém a oxigenação dos tanques com dois geradores que consomem, cada um, perto de 25 litros de diesel por hora, o que eleva a despesa em até R$ 7,8 mil diários. Lemmertz afirma que os técnicos dependem de autorização da central em Curitiba para cada manobra, e que um serviço de 15 minutos pode virar três horas.
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No mesmo município, o produtor de leite Vanderlei Ivan Redel ficou 27 horas sem luz num dia sem chuva nem vento. Quando a energia voltou, faltava uma fase, o que deixa parados os equipamentos trifásicos. Ele conta que foi avisado de que o problema estaria na instalação da própria casa e que, no dia seguinte cedo, a propriedade apagou de novo.
Em Porto Amazonas, Felipe Oliva passou cerca de 48 horas com energia pela metade: chegavam 220 volts, mas não a fase usada pelos aparelhos de 110 volts. O defeito era um parafuso frouxo no neutro do transformador, e só foi resolvido porque o agricultor cruzou com técnicos da empresa que trabalhavam em outro chamado ali perto. Segundo ele, as quedas acontecem ao menos duas vezes por mês e colocam em risco remédios veterinários mantidos na geladeira.
Cobrança e orientação
Em declaração publicada pela Folha de Irati, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, disse que a entidade pede há anos manutenção e investimento à companhia, porque em criações de peixe, frango, porco e gado leiteiro poucas horas sem energia matam animais e obrigam a jogar produção fora. Ele chamou de "inadmissível" a falta de ações efetivas.
A federação recomenda que o produtor formalize a queixa no Consumidor.gov.br e informe os números de protocolo abertos com a Copel. De acordo com Meneguette, essas reclamações entram nas estatísticas que a Aneel, a agência reguladora do setor elétrico, usa para medir a frequência e a duração das faltas de luz no campo. A FAEP diz monitorar o problema desde 2024, quando juntou relatos de sindicatos rurais e mandou ofício à empresa.
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