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Preço de imóveis sobe no Paraná e aluguel já consome 61% do salário médio

O aluguel médio em Curitiba fechou o primeiro semestre em R$ 2.544, o equivalente a 61,57% do salário médio do estado, e no litoral a valorização chegou a 30% após a abertura da ponte.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Fachada de prédio residencial com sacadas
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: wal_172619 via Pixabay

O mercado imobiliário paranaense subiu em várias frentes ao mesmo tempo no primeiro semestre de 2026. Na capital, os apartamentos entre 65 e 100 metros quadrados lideraram a alta, puxada por bairros como Bigorrilho, Portão e CIC. A Ponte de Guaratuba, recém-aberta ao tráfego, empurrou os preços das duas cidades vizinhas a ela: Guaratuba e Matinhos ficaram perto de 30% de alta. No norte, Maringá fechou 2025 no grupo das três cidades mais valorizadas do país, com prédios e loteamentos de expansão subindo até 19% no ano, conforme estudo da DWV, empresa de inteligência de mercado. Londrina acompanha o mesmo movimento.

O que os dados de Curitiba mostram é o tamanho da conta para quem mora. Alugar custa, em média, R$ 2.544 por mês — cerca de R$ 923 a mais que o salário mínimo nacional e o equivalente a 61,57% do salário médio pago no estado. Comprar sai por um ticket médio de R$ 511 mil. Os valores são do Inpespar, instituto que acompanha o setor imobiliário e condominial paranaense, e do Ipardes, ligado ao governo estadual, reunidos em reportagem da Tribuna do Paraná.

Não é pouca gente exposta a esse valor: quase um quarto dos paranaenses vive de aluguel, ou 23%, segundo a PNAD Contínua. E o item moradia vem ganhando espaço no orçamento. Pelo INPC, índice de preços calculado pelo IBGE, quem ganhava de 1 a 5 salários mínimos gastou 17,6% do que recebeu com habitação em agosto deste ano. Só comida e transporte pesaram mais.

Três processos distintos costumam ser embaralhados no debate sobre preço de imóvel. Um é a gentrificação: o bairro popular recebe obras e investimento, encarece e acaba expulsando quem vivia ali. Outro é a especulação, em que o comprador deixa o terreno ou o imóvel parado, sem uso, apostando na venda futura. O terceiro é a valorização que simplesmente segue a chegada de infraestrutura.

Em entrevista à Tribuna do Paraná, Letícia Gadens, que dá aula em planejamento urbano na pós-graduação da UFPR e pesquisa no Observatório das Metrópoles, ponderou que o termo gentrificação foi cunhado no Norte Global e não se transporta sem ajuste para cá. No Brasil, disse, a marca das cidades é a segregação socioespacial: áreas bem servidas convivem com periferias sem infraestrutura, e o que está em curso é uma valorização desigual.

Ao mesmo jornal, Adalberto Scherer, que dirige a área comercial da Cibraco Imóveis, afirmou que o fator de atração muda de lugar para lugar — ora é a distância até um grande centro, ora o turismo e a paisagem, ora a presença de fábricas, caso do eixo entre Ponta Grossa e Castro. Já o diretor Rodrigo Linhares Porto, da construtora Porto Camargo, avaliou à publicação que a especulação persegue ganho rápido e faz mal ao mercado.

O alerta que fecha a reportagem é sobre quem fica de fora. Com as cidades médias crescendo e as regiões metropolitanas adensando, os bairros mais bem equipados do estado tendem a escapar não apenas de quem é pobre, mas também da classe média — e o resultado, nesse caminho, é mais déficit habitacional e moradia cada vez mais distante do centro.

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