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Palmas busca investidor estrangeiro para ampliar parque eólico de 1999

O complexo pioneiro do Sul do país nunca passou dos cinco aerogeradores instalados no fim do governo Lerner; com o projeto refeito para fora da área de conservação, grupos da Alemanha e da China avaliam o negócio.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Aerogeradores em Palmas, Paraná
Foto: Marlon Bianco Matias via Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O município que recebeu a primeira usina eólica do Sul do Brasil tenta, 27 anos depois, tirar do papel a ampliação prometida no começo. Palmas, no Sudoeste do Paraná, procura investidores para expandir o complexo Rota dos Ventos, que entrou em operação em 1999 com cinco aerogeradores e nunca cresceu além disso.

O projeto original, privado, previa 200 turbinas. Segundo a Tribuna do Paraná, a expansão parou quando mudou o governo estadual — a usina foi instalada no último ano da gestão de Jaime Lerner — e faltou interesse dos órgãos de fomento e da própria Copel, que acabou aplicando no Nordeste.

Do outro lado da divisa, Santa Catarina fez o caminho contrário: consolidou por volta de 2002 o parque de Água Doce, hoje com mais de cem aerogeradores em operação. "Nós perdemos", resumiu à Tribuna do Paraná o vereador Marquinhos Gomes, que acompanha as audiências sobre o assunto há 27 anos.

A estagnação chegou a Brasília em 2023. A pedido do deputado federal Paulo Litro, do PSD, a Comissão de Minas e Energia da Câmara realizou em outubro daquele ano uma audiência dedicada ao plano de expansão da usina, com representantes do Ministério de Minas e Energia e do setor elétrico.

O que mudou no projeto

As tentativas anteriores esbarravam nas exigências ambientais, por causa da vizinhança com o Refúgio da Vida Silvestre, unidade federal de conservação situada entre Palmas e General Carneiro. Os estudos foram refeitos para que os novos aerogeradores fiquem fora do perímetro da área protegida, e, ainda segundo o vereador, o governo estadual passou a empurrar a tramitação das licenças.

A tecnologia também encolheu o problema. As torres erguidas em 1999 têm 44 metros de altura e geram 500 kW cada uma; as de nova geração chegam a 150 metros, e a partir dessa altura o projeto precisa de autorização da Anac para ocupar o espaço aéreo. Com máquinas maiores, bastariam 80 torres para entregar o que antes exigiria as 200 previstas.

Quem está olhando

Grupos da Alemanha, da China e da Indonésia avaliam comprar e executar o projeto. A região tem duas vantagens sobre o Nordeste, onde a maresia desgasta os equipamentos mais rápido: o desgaste menor e a possibilidade de a geração dividir o terreno com a atividade agrícola — por ali se produz erva-mate, maçã, madeira e soja, além da pecuária.

Para o município, a conta é de arrecadação e de emprego. Gomes estima em até R$ 100 milhões por ano a receita de ICMS que os novos parques poderiam render à cidade, além do ISS e das vagas de trabalho. Ele diz que parte dos investidores aguarda um cenário político e econômico mais estável para avançar nas negociações.

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