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Agropecuária Paraná

Oeste do Paraná tem cooperativas que empregam quase 80 mil e atraem jovens ao campo

Reportagem da Tribuna do Paraná mostra que as agroindústrias cooperativas puxam trabalhadores para a região e que filhos de produtores voltam para administrar as propriedades da família.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Plantação de milho em Palotina (PR), Brasil.
Foto: Deyvid Aleksandr Raffo Setti via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Oeste do Paraná, que por muito tempo viu famílias do interior partirem para as capitais, hoje atrai trabalhadores — e boa parte desse movimento passa pelas cooperativas agroindustriais. Segundo reportagem da Tribuna do Paraná, a região, com pouco mais de 1,5 milhão de habitantes, abriga sete cooperativas que estão entre as mil maiores empresas do país, e elas respondem por quase 80 mil empregos diretos.

O jornal descreve dois fluxos: gente que chega para trabalhar nas agroindústrias e jovens que voltam depois de temporadas estudando em grandes centros, dispostos a tocar o negócio da família.

Terra pequena, renda acima da média

O tamanho das propriedades ajuda a entender o papel das cooperativas. Pelos números citados na reportagem, menos de 100 hectares é a extensão de 92% das áreas rurais do estado, cuja média fica em 48 hectares. À Tribuna, Andreia Campanholli, supervisora de Cooperativismo da C.Vale, avaliou que, sem o suporte cooperativo, boa parte das propriedades locais teria mudado de dono ou passado para as mãos de arrendatários.

Palotina, onde fica a sede da C.Vale, tem 36 mil habitantes e está distante dos grandes centros urbanos, mas registra IDH de 0,768 e renda per capita 50% superior à média brasileira, de acordo com o jornal.

Diversificar para atravessar a seca

Na família Araldi, quem toca hoje os 290 hectares são Gerson e o irmão Gilberto, filhos de Nestor e Ladi. A dupla deixou de viver só da colheita de grãos e passou a ter também aviário e gado de leite. De acordo com a Tribuna, a mudança deu fôlego nos anos secos: a lavoura paga em poucos meses e sofre com o clima, enquanto aves e leite trazem receita mensal. A família montou uma holding para planejar a sucessão, que já alcança a quarta geração. Ao jornal, Gerson disse que nunca passou pela cabeça dos irmãos sair da propriedade.

A sucessão como desafio

Nem toda família rural segue esse caminho. Para Andreia Campanholli, o obstáculo principal é cultural, e a saída passa pelo diálogo entre pais e filhos. Ela também apontou à Tribuna que a digitalização das notas fiscais empurra o produtor para fora da informalidade — e, na avaliação dela, formar os herdeiros para administrar o negócio ficou tão importante quanto ensinar a produzir.

Com 27 mil associados, a cooperativa de Palotina criou um programa próprio para essa transição, a Trilha de Desenvolvimento do Cooperado. Crianças a partir dos 8 anos, filhas e netas de cooperados, participam de atividades sobre gestão, sucessão e inteligência emocional.

Ouvido pela Tribuna, o economista Jandir Ferrera de Lima, doutor em Desenvolvimento Regional e professor da Unioeste em Toledo, relacionou a mudança ao que pesquisadores chamam de "novo rural": atividades mais variadas e gestão profissional, com espaço no sítio para quem estudou administração, agronomia ou tecnologia. Segundo ele, parte dos jovens que retornam já se enxerga mais como pequenos empreendedores rurais do que como agricultores.

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