No Paraná, 1,32% das vagas com carteira são de pessoas com deficiência
O índice supera a média nacional, de 1,27%, e põe o estado entre os cinco maiores do país, mas só 23% das empresas obrigadas pela Lei de Cotas cumprem o percentual, aponta o Dieese.
O Paraná emprega, proporcionalmente, mais pessoas com deficiência do que a média brasileira — e, como no resto do país, quase nenhuma delas chega ao comando. A fatia desses trabalhadores no mercado com carteira assinada é de 1,32% no estado, ante 1,27% na média nacional.
Os números são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), extraídos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e divulgados pelo Jornal União.
Na chefia, o quadro muda: em todo o país, apenas um a cada 29 desses profissionais com registro em carteira ocupa um posto de direção ou gerência.
Quatro unidades da Federação superam o índice paranaense. Paraíba e Santa Catarina ficam logo acima, empatadas em 1,38% cada; o topo é do Distrito Federal, que marca 1,83%, e logo atrás aparece São Paulo, com 1,55%.
Menos de um quarto das empresas cumpre a cota
A reserva de vagas prevista na Lei de Cotas vale para quem tem 100 ou mais empregados. Mesmo assim, o percentual exigido é atingido por inteiro em apenas 23% das empresas, calcula o Dieese.
Quem fica de fora tem sido multado. O Ministério do Trabalho e Emprego autuou mais de 4,1 mil empresas em 2025, com R$ 117 milhões aplicados em multas — levantamento da agência de dados Fiquem Sabendo que o Jornal União reproduziu.
Entre o que trava a carreira desse trabalhador, o Jornal União cita a subestimação de suas competências, falhas de acessibilidade, ausência de plano de desenvolvimento e o pequeno número de profissionais com deficiência já instalados em posições de liderança.
Tania Mior Botemberger, que coordena talentos e diversidade no Grupo Marista, disse ao jornal que a contratação é só o começo: empresas em dia com a cota podem deixar esses funcionários em funções de baixa visibilidade, sem acesso a capacitação nem a projetos estratégicos. "Nesses casos, há presença, mas não pertencimento", resumiu. Para ela, promoção, permanência e desenvolvimento precisam entrar na medição, ao lado do número de contratados.
Analista da mesma área no grupo e pessoa com deficiência, Denise Dalmece relatou ao Jornal União ter passado por lugares onde a chefia reconhecia seu trabalho sem que isso se transformasse em promoção ou em salário maior. "Ser uma boa profissional nem sempre é suficiente para ser valorizada", afirmou.
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