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Frota elétrica do Paraná cresce e reduz o espaço do gás veicular

Dados do Detran-PR apontam queda de 8,4% nos automóveis movidos a gás natural em um ano, enquanto elétricos e híbridos passaram de 8,2 mil para 28,5 mil unidades no estado.

3 min de leitura
Imagem ilustrativa: Close-up de um bico verde abastecendo um carro branco em um posto de gasolina.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Engin Akyurt / Pexels

Quem dirige no Paraná e escolhe o combustível pela conta do fim do mês tem hoje uma alternativa que não existia há três anos. O gás natural veicular, durante muito tempo a única saída para fugir da gasolina e do etanol, começou a perder frota para os carros de tomada.

Os registros do Departamento de Trânsito do Paraná mostram o tamanho da virada. Em julho de 2024 havia 23.922 automóveis a gás no estado; no mesmo mês deste ano são 21.977, uma retração de 8,4%. Entre caminhonetes e camionetas a queda foi maior, de 10,2%, com o total caindo de 11.383 para 10.220. No sentido oposto, os veículos elétricos e híbridos saltaram de 8.256 para 28.586, alta de 246,2%.

O gás segue mais barato por quilômetro rodado, mas exige um gasto de entrada que o carro elétrico não tem. Leison Martins, especialista no assunto ouvido pela Tribuna do Paraná, afirmou que converter um carro de passeio custa de R$ 3.900 a R$ 12.900, e que a adaptação de um veículo a diesel vai de R$ 15.900 a R$ 45 mil. Como nenhuma montadora entrega no país automóvel leve de fábrica movido a gás, a conversão é obrigatória.

Há um desconto que ajuda na conta: o estado cobra IPVA de 1% sobre o valor venal dos veículos a GNV, contra os 1,9% aplicados aos demais, diferença de cerca de 47%.

A rede de abastecimento também pesa na decisão. Segundo a Compagás, são 35 postos no Paraná, concentrados em Curitiba e região metropolitana, Paranaguá, Londrina e Ponta Grossa, com consumo diário de 26 mil metros cúbicos. A concessionária prevê abrir um ponto em Cambé neste ano e outro em Maringá em 2027. A canalização rumo ao Norte está prevista até 2029, e as demais regiões só devem receber unidades isoladas até o fim do contrato, em 2054.

O movimento não é só paranaense. A Empresa de Pesquisa Energética informou à Tribuna do Paraná que o consumo nacional de GNV caiu 34,7% entre 2022 e 2025, de 2.263 milhões para 1.478 milhões de metros cúbicos, puxado pelo avanço dos eletrificados, pelo custo da conversão e pela perda de competitividade diante de gasolina, diesel e eletricidade.

A aposta da distribuidora agora está nos caminhões. O estado tem 50 carretas movidas a gás e outras 41 com tecnologia mista com diesel, e 13 dos 35 postos já abastecem veículos pesados em 8 a 12 minutos, tempo parecido com o do diesel. Luís Carlos Kuns Passos, diretor comercial da Compagás, disse à Tribuna do Paraná que o gás é a principal alternativa ao diesel na transição energética e que a empresa negocia tarifa específica com transportadores. Os postos do interior formam um corredor entre Londrina e Ponta Grossa que liga as rodovias ao Porto de Paranaguá.

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