El Niño forte deve trazer chuva concentrada e risco de temporais ao Paraná até o verão
Simepar projeta volumes acima da média em todas as regiões, com desvios maiores no Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste, e vê 75% de chance de o fenômeno ser o mais forte desde 1950.
O Paraná deve atravessar a primavera e o verão 2026/2027 com chuva acima da média e maior risco de eventos severos, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná). As projeções do instituto, reunidas pela Folha de Irati, associam esse cenário ao El Niño, que já é classificado como forte e pode se intensificar nas próximas semanas.
O Simepar aponta que a tendência não é de chuva bem distribuída, mas de volumes elevados concentrados em poucos dias. Esse padrão aumenta a chance de temporais com granizo e raios, enxurradas, cheias repentinas, solo encharcado e deslizamentos de terra. Todas as regiões do estado devem receber mais chuva que o normal, mas os maiores desvios são esperados no Centro-Sul, no Sul, no Oeste e no Sudoeste.
O instituto ressalta que o El Niño indica tendências para meses e estações, e não o dia em que cada episódio de chuva vai ocorrer. Isso depende dos sistemas que estiverem atuando — frentes frias, áreas de baixa pressão ou sistemas que ficam estacionados sobre a região —, e por isso a orientação é acompanhar diariamente a previsão do tempo e suas atualizações.
Chance de recorde
Com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Simepar informa que a probabilidade de o fenômeno chegar à categoria de muito forte entre a primavera e o verão passa de 90%. Para o período de outubro a dezembro, há 75% de chance de este ser o El Niño mais intenso já registrado desde 1950. O pico é esperado entre novembro e janeiro, quando a superfície do mar no Pacífico equatorial pode ficar 2,9°C acima da média.
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Sobre a situação atual, o material traz dois números para o aquecimento da área de referência: 1,8°C acima da média em um trecho e 1,4°C em outro, sem indicar se as medições são de períodos diferentes. A NOAA também registra água bem mais quente que o normal na camada de até 200 metros de profundidade do Pacífico equatorial central e oriental, além de mudanças na direção dos ventos na baixa e na alta atmosfera.
Inverno já foi chuvoso
Segundo o Simepar, os efeitos do El Niño aparecem no Paraná desde o começo do inverno, somados a frentes frias e outros sistemas. Em junho, só uma estação do instituto ficou abaixo da média: a da Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba. Em julho, foram quatro — Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba —, e a estação de Palmas marcou 311 mm, o maior volume para julho em 28 anos de medição. Em agosto, entre 47 estações com mais de cinco anos de operação, apenas Cianorte, Maringá e Apucarana ficaram abaixo da média, enquanto Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e o Distrito de Horizonte, em Palmas, tiveram o agosto mais chuvoso desde a instalação de suas estações.
O que é o fenômeno
O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Junto com a Oscilação Sul — variação da pressão atmosférica entre o oeste e o leste do Pacífico tropical —, ele forma o ENOS, capaz de alterar a circulação da atmosfera em todo o planeta e de influenciar temperatura e chuva em grandes áreas por meses ou anos. No Sul do Brasil, historicamente, está associado a chuva acima da média e a mais vendavais, granizo e inundações.
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