Chuva acima do normal trava colheita do trigo e plantio da soja no Paraná
Levantamento do Deral mostra colheita do trigo parada em 58% da área e milho de verão semeado em 43%; o solo encharcado impediu a entrada de máquinas nas lavouras na semana passada.
Com a terra encharcada depois dos temporais da semana passada, as máquinas não conseguiram entrar nas propriedades rurais do Paraná, e colheitas e plantios ficaram pela metade. O balanço dos estragos é do Deral, órgão que acompanha as safras no estado, em boletim semanal sobre clima e lavouras publicado na terça (15), conforme noticiou o aRede.
Pelo levantamento, tudo começou com uma queda brusca de temperatura nos Campos Gerais e nas regiões Sul e Centro-Sul, que logo virou chuva volumosa acompanhada de rajadas de vento.
Inverno: trigo e cevada parados na maturação
A colheita do trigo havia chegado a 58% da área, e a da cevada, a 19%, quando precisou parar — justamente com a maior parte das lavouras já madura. Umidade alta e pouco sol elevam o risco de o grão perder peso, abrem espaço para doenças de espiga como a brusone e favorecem o acamamento, quando o vento derruba as plantas.
Verão: milho e soja no começo
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Na safra 2026/27, o milho tinha 43% da área prevista semeada, e a soja, 2%. Nas duas culturas a semeadura foi suspensa. O feijão ficou com o preparo do solo parado e registra forte redução da área cultivada. Na batata, a segunda safra teve a colheita manual e as aplicações contra pragas e doenças interrompidas, e lavouras de primeira safra recém-plantadas em terrenos inclinados sofreram danos irreversíveis por erosão.
As hortaliças foram atingidas por alagamentos, e a cebola enfrenta pressão alta de doenças causadas por fungos. O café encerrou a colheita com boa produtividade, mas a umidade recente preocupa quanto à qualidade do produto. Os citros continuam com preço abaixo do custo de produção. Numa área de eucalipto, a passagem de um tornado destruiu quase toda a plantação. Só as pastagens saíram ganhando, com boa oferta de capim para o gado.
Por que choveu tanto
Ouvido pelo aRede, o meteorologista Antônio do Nascimento Oliveira, pesquisador da Fundação ABC, explicou que o volume de água, bem maior que o normal para setembro, resultou da soma de três fatores: um sistema de baixa pressão que ganhou força sobre o Paraguai, o ar úmido e quente que chegou pelo noroeste e uma frente fria que cruzou o estado. Segundo ele, o El Niño alterou a circulação da atmosfera e facilitou temporais pesados em pouco tempo. O pesquisador lembrou que chuva em excesso também lava os nutrientes da terra, provoca erosão, espalha fungos e pode fazer sementes recém-plantadas não germinarem.
A previsão trazida na reportagem aponta pausa na chuva até quinta-feira (17), ainda com muitas nuvens dificultando a secagem do solo, e nova rodada de instabilidade de sexta (18) a quarta-feira (23). Depois, o tempo deve firmar até o início de outubro. Para o último trimestre, a indicação é de El Niño mais intenso e estação chuvosa ativa no estado, com risco de temporais, ventania e granizo.
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