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Um terço dos microempreendedores individuais saiu de emprego com carteira

Levantamento do Ministério do Trabalho aponta 5 milhões de migrações desde 2022 e calcula perda de R$ 105 bilhões na arrecadação de Previdência, FGTS e Sistema S.

atualizado em 10/09, 18:33 2 min de leitura
Imagem ilustrativa: Vista de cima de uma pessoa digitando em um laptop em um ambiente de escritório com papéis amassados e material de escritório.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: https://kaboompics.com/ / Pexels

Um em cada três microempreendedores individuais registrados hoje no país já teve carteira de trabalho assinada antes de virar pessoa jurídica. É o que aponta um estudo do Ministério do Trabalho e Emprego obtido pela Folha de S.Paulo, em reportagem publicada pelo Bem Paraná, montado com estimativas próprias e da Receita Federal.

Os números dão a dimensão do movimento. De janeiro de 2022 a março de 2026, 5 milhões de pessoas desligadas de um emprego formal passaram ao regime de pessoa jurídica no mesmo mês da demissão ou no mês seguinte. O país tem hoje 16,75 milhões de inscritos como MEI.

Para os cofres públicos, a conta é alta. O governo federal estima em R$ 105 bilhões o que deixou de arrecadar entre janeiro de 2022 e julho de 2025 por causa dessa troca de regime, somando o que empresas e trabalhadores pararam de recolher para a Previdência, para o Fundo de Garantia e para o Sistema S.

O MEI nasceu em 2008 com outro propósito: tirar da informalidade quem trabalhava por conta própria, garantindo alguma contribuição previdenciária com pouca burocracia. A reforma trabalhista de 2017 abriu a porta para que empresas contratassem microempreendedores como prestadores de serviço, desde que sem subordinação.

É aí que mora a suspeita do governo. Segundo declarações da subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho da pasta, Paula Montagner, à Folha de S.Paulo, boa parte dessas pessoas continua trabalhando como assalariada, atendendo uma única empresa e cumprindo horário, só que sob contrato de pessoa jurídica.

O efeito de longo prazo recai sobre a aposentadoria. O microempreendedor recolhe ao INSS, por padrão, o equivalente a 5% do salário mínimo. Montagner afirmou que, nos 15 anos do regime, o que essa categoria contribuiu cobriu apenas três anos das próprias aposentadorias. Ela observou que existe a opção de recolher valores maiores, mas que a maioria fica na alíquota básica, ao mesmo tempo em que desaparece a parcela de 20% paga pelo empregador.

O levantamento parte de janeiro de 2022, quando a base do eSocial passou a reunir esse tipo de informação.

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