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Desabamento na Penha deixa seis mortos, e polícia prende sócio da construtora

Bombeiros encerraram as buscas no domingo ao achar a sexta vítima; prefeitura apura a vistoria de 2024 que atestou uma demolição exigida no alvará e que, segundo o município, nunca aconteceu.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Canteiro de obras de prédio em altura com guindaste contra um céu nublado, mostrando o desenvolvimento urbano.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Yogendra Singh / Pexels

O Corpo de Bombeiros deu por encerradas, no início da tarde deste domingo (13), as buscas nos escombros do prédio em construção que caiu sobre uma casa na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste de São Paulo. A última vítima localizada foi uma menina de 7 anos, e com ela o total de mortos chegou a seis: três mulheres, uma delas grávida, dois homens e a criança. Não há mais ninguém desaparecido.

O edifício, que tinha 11 pavimentos previstos, desmoronou por volta das 2h de sábado (12), durante o temporal que atingia a capital. Oito pessoas estavam na casa atingida. Além das seis que morreram, um homem e uma menina, irmã da criança encontrada no domingo, foram retirados com vida; segundo os bombeiros, os dois tiveram ferimentos leves e devem deixar o hospital até segunda-feira (14).

Com o fim do trabalho de emergência, a remoção do entulho passa à prefeitura, e o terreno fica à disposição da perícia. A Defesa Civil interditou três imóveis vizinhos e ainda avalia se a chuva teve algum papel no colapso.

Prisão e investigação

Também no domingo, a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão contra um dos sócios da New Home, construtora responsável pela obra, informou a Folha de S.Paulo. Ele não teve o nome divulgado e foi levado ao 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa. De acordo com o jornal, outros dois responsáveis pelo empreendimento também são alvo de mandados, e os crimes atribuídos a eles ainda não foram confirmados.

Antes da prisão, a empresa havia dito em nota que abriu apuração interna e que não existem, por ora, elementos para atribuir a causa do desabamento apenas à conduta dela. Ao Metrópoles, o advogado da construtora, Alexandre Sampi, sustentou que a obra tinha alvará e que só um laudo técnico poderá apontar o motivo da queda.

A vistoria que não confere

Segundo a prefeitura, a construção começou em 2019 sem autorização — o pedido de alvará daquele ano foi negado — e acumulou interdição e multas da Subprefeitura da Penha, uma delas de R$ 119 mil. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município obteve na Justiça liminar para parar a obra.

Um novo projeto foi apresentado em 2022, e o alvará saiu em agosto de 2023 com a condição de que a estrutura antiga fosse posta abaixo. Em fevereiro de 2024, um laudo assinado por uma servidora da subprefeitura registrou a demolição, e o processo judicial foi extinto. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que técnicos do município, ouvindo vizinhos e comparando imagens de satélite, constataram no sábado que a estrutura nunca foi demolida. A servidora foi afastada por 30 dias, e a Controladoria-Geral do Município investiga o caso em conjunto com a Polícia Civil.

As vítimas

Todas as vítimas eram bolivianas. Segundo a Folha, a família vivia no Brasil havia nove anos e usava o imóvel também como oficina de costura. Em entrevista ao jornal, a advogada do Consulado da Bolívia, Patrícia Veiga, disse que o órgão tenta levar os corpos para Oruro, a pedido dos parentes.

A mesma madrugada de chuva provocou outros estragos na cidade, de acordo com o Estadão: uma casa desabou em Sapopemba e deixou 24 desalojados, moradias à beira de um córrego caíram no Jabaquara e a Marginal do Tietê chegou a ser totalmente bloqueada por alagamento.

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