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Inflação oficial cai 0,32% em agosto com conta de luz mais barata e alimentos em queda

Bônus de Itaipu derrubou a energia em 7,63%, e batata, tomate e cebola caíram mais de 10%; resultado reforça aposta de novo corte da Selic, hoje em 14%, na reunião do Copom desta semana.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Consumidora com cesta de compras confere o cupom fiscal em um mercado.
Imagem ilustrativa · Não retrata o fato · Foto: Kampus Production / Pexels

Os preços ao consumidor caíram, em média, 0,32% no Brasil em agosto, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE na sexta-feira (11). O índice oficial de inflação havia subido 0,07% em julho. Foi a primeira taxa negativa em um ano — a anterior, de -0,11%, veio em agosto de 2025 — e a deflação mais forte desde agosto de 2022, quando o indicador marcou -0,36%. Segundo a Folhapress, em reportagem publicada pelo Bem Paraná, a mediana das projeções do mercado reunidas pela Bloomberg era de -0,28%.

O que ficou mais barato

O maior peso veio da conta de luz. A energia elétrica residencial caiu 7,63%, a maior baixa desse item num mês de agosto desde a criação do real, em 1994. O motivo é o bônus de Itaipu, crédito lançado nas faturas quando sobra saldo na conta de comercialização da energia da usina, que o Brasil controla com o Paraguai. O desconto é pontual, e o efeito tende a se desfazer já nos preços de setembro.

A comida também ajudou. O grupo alimentação e bebidas recuou 0,34%, no terceiro mês seguido de queda, e a alimentação no domicílio caiu 0,61%. Entre os itens do dia a dia, a batata-inglesa ficou 19,89% mais barata, a cenoura 11,22%, a cebola 11,07% e o tomate 10,94%; o ovo baixou 4,15% e o café moído, 1,86%. As passagens aéreas recuaram 13,17%, e a gasolina, 0,59%. Segundo o InfoMoney, o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves, destacou justamente a combinação de energia, alimentos, passagens e combustíveis.

No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto e segue abaixo de 4,5%, o teto da meta que o Banco Central precisa cumprir.

Juros e riscos

A taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano. De acordo com economistas ouvidos pelo O Globo, em texto republicado pelo InfoMoney, o resultado abre caminho para mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom, o comitê do BC que define os juros, marcada para esta semana. Juro menor tende a baratear crédito e financiamentos.

Os mesmos analistas apontam riscos adiante: o El Niño, que mexe com as chuvas e pode encarecer alimentos e energia, e os preços de serviços, que ainda não desaceleraram o bastante. Segundo a Folhapress, pesa também a guerra entre Estados Unidos e Irã, que levou o barril de petróleo a passar de US$ 100 na quarta-feira (9), pela primeira vez desde maio. O boletim Focus, do BC, projeta inflação de 5% em 2026, acima do teto.

Esta foi a última divulgação do IPCA antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

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