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Famílias endividadas seguem em recorde de 82% e atraso cresce entre as mais pobres

Pesquisa da CNC referente a agosto mostra 82% dos lares com dívidas pelo sétimo mês seguido; entre quem ganha até três salários mínimos, as contas em atraso chegaram a 38,8%.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Um casal discutindo finanças com uma calculadora e papéis em uma mesa de madeira, com expressão preocupada.
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Mikhail Nilov via Pexels

A proporção de famílias brasileiras com dívidas ficou em 82% em agosto, repetindo o patamar de julho e marcando o sétimo mês consecutivo de recorde na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados foram divulgados pela entidade em 10 de setembro. Um ano antes, em agosto de 2025, o índice era de 78,8%.

Estar endividado, na pesquisa, não significa estar devendo em atraso: conta a família que tem compromissos a vencer, como fatura do cartão, carnê ou financiamento. As contas efetivamente atrasadas atingiram 29,9% dos lares em agosto, alta de 0,1 ponto percentual sobre o mês anterior.

Pressão maior na base da pirâmide

O aperto é mais forte entre quem ganha até três salários mínimos. Nessa faixa, 85,1% das famílias têm dívidas, e a parcela com pagamentos atrasados passou de 38,5% em julho para 38,8% em agosto — segundo a CNC, foi o único grupo de renda em que a inadimplência avançou. Entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento é de 72,3%, e o atraso atinge 14,9%.

Também cresceu a fatia de quem diz que não vai conseguir quitar o que deve: 12,5% das famílias declararam não ter condições de pagar as contas atrasadas, o maior nível desde fevereiro. Entre os lares de menor renda, essa proporção chega a 18,3%. O tempo médio de atraso subiu para 65 dias, interrompendo três meses de melhora.

Na divulgação, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que o país chega "ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência". A entidade projeta aumento das contas em atraso no próximo trimestre.

Cartão de crédito lidera

Na edição anterior, referente a julho, a CNC apontou o cartão de crédito como a principal forma de dívida, presente em 85,3% dos lares endividados, bem à frente dos carnês (16,1%) e do crédito pessoal (13%). Naquele mês, os 82% correspondiam a cerca de 60 milhões de famílias, segundo a Gazeta de São Paulo.

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