Brasil entra em acordo para comprar injeção semestral de prevenção ao HIV
O acordo entre a Opas e a Gilead inclui outros 13 países e abre a compra do lenacapavir, aprovado pela Anvisa em janeiro; a oferta pelo SUS ainda depende de protocolos e planejamento.
A prevenção ao HIV no Brasil pode passar a contar com uma injeção aplicada de seis em seis meses. O país aderiu a uma estratégia regional que abre caminho para a compra do lenacapavir, remédio de longa duração usado como profilaxia pré-exposição, a PrEP.
Segundo a VTV News, o entendimento foi divulgado pela Gilead Sciences e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), e inclui outros 13 países da América Latina e do Caribe. Ele permite ao Brasil adquirir o medicamento pelos Fundos Rotatórios Regionais da Opas, mecanismo que agrupa a demanda dos países para facilitar a aquisição de remédios e tecnologias de saúde.
Como funciona o lenacapavir
A PrEP é destinada a quem não tem o vírus, mas está sujeito ao risco de contrair a infecção. O que distingue o lenacapavir é o intervalo entre as doses: passada a fase inicial do esquema, a aplicação subcutânea se repete a cada seis meses, o que dispensa a rotina do comprimido diário. A Organização Mundial da Saúde passou a recomendá-lo como opção adicional de PrEP em 2025.
No Brasil, a Anvisa autorizou o uso como PrEP em janeiro de 2026, para adultos e adolescentes com 12 anos ou mais e peso a partir de 35 quilos. Antes de começar, é preciso ter resultado negativo em teste para o HIV.
Ainda não é oferta do SUS
O acordo não coloca a injeção nas unidades públicas de imediato. A entrada nos programas do SUS passa por etapas nacionais: é preciso avaliar o acesso, planejar a rede de atendimento e definir os protocolos de uso.
Há ainda um compromisso da Gilead de avançar numa transferência de tecnologia que viabilize fabricar o lenacapavir em território brasileiro. Prazo para essa produção começar, até agora, não existe.
Para quem já vive com HIV, o caminho continua sendo outro. O SUS fornece de graça a terapia antirretroviral, tratamento que baixa a presença do vírus no corpo e mantém a carga viral sob controle. O tenofovir combinado à lamivudina e ao dolutegravir está entre as primeiras escolhas, e o esquema muda conforme o quadro clínico de cada paciente.
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Leia em outras fontes
- VTV News — Injeção contra HIV exige só duas aplicações por ano e poderá chegar ao Brasil 17/09/2026
- Gazeta de São Paulo — Injeção semestral contra HIV poderá ser feita no Brasil 17/09/2026
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