Bloqueio judicial de R$ 3,28 bilhões contra Nelson Tanure encontrou só R$ 268
Documento obtido pela Jovem Pan mostra que a ordem da Justiça Federal em São Paulo, ligada às apurações do Banco Master, alcançou quase nada; empresário perdeu ações e crédito nos bancos.
Dos mais de R$ 3,2 bilhões que a Justiça Federal mandou reter do empresário Nelson Tanure, os bancos acharam pouco mais de R$ 268. É o que mostra um registro do Sisbajud, sistema pelo qual juízes enviam ordens de bloqueio ao mercado financeiro, que a Jovem Pan obteve entre os arquivos das apurações sobre o Banco Master, conforme publicou a Gazeta do Paraná.
A determinação partiu da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo, numa ação penal do Ministério Público Federal, e foi protocolada em 13 de janeiro. A quantia encontrada estava aplicada na Genial Investimentos, que avisou ter cumprido a ordem só parcialmente, por não haver saldo suficiente. A Caixa Econômica Federal respondeu que não havia valor positivo em nome dele. O resultado final foi consolidado dois dias depois.
O que a PF aponta
Publicidade
A retenção integra as medidas do caso Master. No dia 6 de janeiro, a pedido da Procuradoria-Geral da República, o ministro Dias Toffoli, do STF, autorizou tornar indisponíveis os bens do empresário. Em 14 de janeiro, a segunda fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandado de busca contra ele. A operação apura lavagem de dinheiro, manipulação do mercado, gestão fraudulenta de instituição financeira e formação de organização criminosa.
Segundo a decisão de Toffoli, a Polícia Federal viu indícios de que Tanure seria sócio oculto do Master e exerceria influência sobre o banco usando fundos e estruturas societárias complexas. Os advogados dele negaram, em janeiro, qualquer relação societária com a instituição e afirmaram que ele foi somente cliente. Nada disso foi julgado.
Garantias executadas
A reportagem reproduzida pela Gazeta do Paraná relata, com base em executivos do mercado financeiro que negociaram com o empresário, que os principais bancos deixaram de conceder crédito novo a ele e passaram a conduzir a relação pelas áreas de reestruturação de dívidas.
Várias garantias já foram tomadas. Em outubro de 2025, o UBS antecipou o vencimento de uma operação de ao menos R$ 2 bilhões que tinha ações da Prio como garantia, estruturada quando o Credit Suisse ainda operava; o filho do empresário, Nelson Queiroz Tanure, preside o conselho da petroleira. Pouco antes, a XP antecipou debêntures de R$ 520 milhões garantidas por papéis da Emae e da Ambipar, e Tanure perdeu o controle da Emae.
Resta ainda uma dívida estimada em R$ 1,5 bilhão com BTG Pactual, Prisma, Farallon e Santander, que financiaram a compra da Copel Telecom, hoje Ligga. Sem receber as parcelas, os credores executaram o contrato e assumiram participações em empresas como Light e Alliance, que podem ser vendidas para reduzir o débito.
- Nelson Tanure
- Bloqueio de bens
- Sisbajud
- Banco Master
- Operação Compliance Zero
- Execução de dívidas
Encontrou alguma informação incorreta?
Nos ajude a manter o conteúdo correto.
Publicidade
Comentários
para comentar.
-
denúncia enviada
Nenhum comentário ainda.
Excluir seu comentário?
Ele sai da matéria para todo mundo, e não dá para voltar atrás.
Imagens dos leitores
Ainda não há fotos desta publicação. Se você esteve lá, mande a sua.
Enviar foto
É preciso entrar para enviar uma foto. A conta serve para registrar a cessão de uso e o crédito.
Leia em outras fontes
- Gazeta do Paraná — Nelson Tanure tinha apenas R$ 268 após ordem de bloqueio de R$ 3,2 bilhões 12/09/2026
O texto acima é nosso, escrito a partir dos fatos. Para uma cobertura mais completa e aprofundada sobre o assunto, ou para visualizar imagens oficiais, acesse os links acima.
Publicidade