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Anvisa alerta que diluir caneta emagrecedora em casa pode levar à sepse

A agência diz ter achado na internet pó de tirzepatida vendido com tutorial de aplicação, e avisa que injetar material contaminado pode abrir infecção que chega à corrente sanguínea.

Por Hub News

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Imagem ilustrativa: Suprimentos médicos com fita métrica e seringa sobre fundo branco
Imagem Ilustrativa Não representa o acontecimento Foto: Mikhail Nilov via Pexels

Quem compra pó de tirzepatida pela internet para preparar em casa a própria dose de caneta emagrecedora corre risco de infecção grave, inclusive da que se espalha pelo sangue. O alerta é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e foi divulgado na quarta-feira (23).

Segundo a agência, circulam na internet ofertas da substância em pó — a mesma que dá efeito ao Mounjaro — acompanhadas de instruções para o próprio paciente diluir e injetar o produto. Não há, diz a Anvisa, como saber se aquele pó de fato contém o que promete conter.

O perigo maior está na aplicação. A injeção atravessa a pele, que é a barreira natural do corpo, e leva para dentro dele o que estiver no líquido. Havendo bactéria ou fungo, a infecção começa no ponto da picada, com dor, vermelhidão, inchaço e abscesso, e pode avançar até a corrente sanguínea. Nesse estágio ela se chama sepse: uma emergência que leva à internação, pode comprometer o funcionamento dos órgãos e pode matar.

A Anvisa também encontrou publicações ensinando a manipular em casa o CBL-514, um peptídeo sintético que está na fase 2 de estudos e não tem autorização de venda. Sobre substância ainda em teste, a agência afirma que não existem evidências firmes de segurança, eficácia e qualidade — e, portanto, nenhuma garantia de que o ganho esperado compense o dano possível.

Por que não dá para fazer em casa

Injetável precisa ser reconstituído onde a esterilidade esteja assegurada, o que significa hospital ou serviço de saúde. A ressalva é de Daniela Marreco, diretora responsável pela área de medicamentos na agência, em declaração publicada pelo Bem Paraná: fora desses lugares, qualquer microrganismo do ambiente pode acabar dentro da seringa. "A gente não consegue garantir a esterilidade do produto", afirmou, lembrando que esse é um dos pontos examinados antes de um remédio ser registrado. Produto desse tipo, disse ainda, não existe registrado no país.

O que é permitido

As canetas pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, hormônio que o corpo produz e que atua na saciedade e no controle da glicose no sangue. A indicação em bula é para diabetes e obesidade. As versões vendidas por aqui têm registro: as de semaglutida — Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e a nacional Ozivy, da EMS — e a de tirzepatida, o Mounjaro, da Eli Lilly, que age também sobre o receptor do hormônio GIP.

Farmácia de manipulação pode preparar tirzepatida, desde que haja prescrição médica e que o produto saia estéril, ou seja, sem bactéria, fungo ou qualquer agente capaz de infectar. A venda por esse caminho sem receita é alvo de apuração da Polícia Federal. E aparência não serve de teste: pó feito fora dos controles exigidos para injetáveis pode trazer contaminante invisível mesmo dentro de embalagem lacrada.

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